Os traficantes de fake news

Por Raimundo Borges
O Imparcial – Em um texto primoroso, didático, analítico e tecnicamente adequado para este ano, o ministro Luiz Roberto Barroso, membro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), destaca cinco pontos nos quais considera que a democracia brasileira viveu momentos graves nos últimos tempos.
Ministro Luís Roberto Barroso considera que a democracia brasileira viveu momentos graves nos últimos tempos

Por coincidência, todos apoiados ou liderados pelo presidente Jair Bolsonaro, como quem se anteciparia ao movimento da invasão do Capitólio em 2021, por seguidores do ex-presidente dos Estados Unidos Donaldo Trump.

No longo artigo, publicado na Revista Internacional de Direito Constitucional em Espanhol, Barroso enumera os seguintes pontos de ameaças à democracia: a) comício na porta do quartel-general do Exército, com pedidos de intervenção das Forças Armadas no processo político; b) manifestações no dia 7 de setembro de 2021, com convocações ameaçadoras e intimidatórias contra as instituições e incitação à insubordinação das Polícias Militares; c) ameaças de invasão e fechamento do Congresso, do STF e de descumprimento de decisões judiciais; d) desfile de tanques na Praça dos Três Poderes; e) pedido de impeachment de Ministro do STF.

“O atraso rondou nossas vidas ameaçadoramente”, sintetiza.

O ministro diz que a Justiça Eleitoral, que operacionaliza com integridade a democracia brasileira, sofreu ataques repetidos, com acusações falsas de fraude e ofensas a seus integrantes, num esforço de trazer descrédito para o processo político democrático.

“Por meses a fio, o país assistiu a uma absurda campanha que pregava a volta ao voto impresso, com contagem pública manual”, relata.

Para ele, era a defesa da volta “ao tempo de fraudes, em que urnas desapareciam, outras apareciam com mais votos do que eleitores e mapas eram manipulados em favor de gente desonesta”.

Barroso faz uma recuperação histórica das mídias tradicionais e como ela sofreram com o que ele chama de a Terceira Revolução Industrial – a Revolução Tecnológica ou Digital. Ele chama a atenção para o seguinte: “A pior consequência de tudo isso, no entanto, foi que ao longo do ano (2021) o país teve que gastar imensa energia debatendo as questões erradas, como retornar o voto impresso”.

A verdade é que a revolução digital permitiu “o aparecimento de verdadeiras milícias digitais, terroristas verbais que disseminam o ódio, mentiras, teorias conspiratórias e ataques às pessoas e à democracia. Alguns se apresentam como jornalistas, mas são traficantes de notícias falsas”.

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