O malvadão da bomba

Por Raimundo Borges
O Imparcial – Ao falar ontem sobre o primeiro aumento dos combustíveis de 2022, o presidente Jair Bolsonaro tentou terceirizar o principal ingrediente que fez explodir a inflação de 2021 para mais de 10%. “Alguém acha que eu sou o ‘malvadão’?”, perguntou Bolsonaro, em entrevista ao site Gazeta Brasil, sobre o reajuste a anunciado pela Petrobrás.

Como sempre se apresenta nessas ocasiões, o presidente da República mostrava-se descontraído e pouco preocupado com os problemas que mais afetam a vida dos brasileiros.

Mais uma vez Bolsonaro tirou o corpo fora e culpou inteiramente a maior estatal brasileira pela alta nos valores. E reiterou que não depende dele a política da Petrobras, portanto não pode ser chamado de “malvadão”.

E mostrou o que todo o Brasil já sabe: seu maior desejo é vender não apenas a estatal do petróleo, assim como também outras empresa símbolos da história do Brasil: os Correios, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica. “Se eu pudesse ficava livre da Petrobras, mas como eu sou o presidente e o acionista majoritário, indico o presidente da empresa, mas medidas são tomadas lá dentro”, disse Bolsonaro.

Bolsonaro erra ao dizer que, como presidente da República é o acionista majoritário. A união que ele comanda, sim, é majoritária na Petrobrás. Em novembro do ano passado, ele mais uma vez demonstrou o desapreço pela maior estatal a América Latina, ao chamar a Petrobras de “monstrengo” e admitiu estudos para privatizar uma parte da estatal. Foi a primeira vez que Bolsonaro sugeriu a venda parcelada da empresa.

O ministro Paulo Guedes, da Economia, topa a venda “para investir em infraestrutura e programas sociais”. Em meados de 2021, a estatal chegou a ser avaliada em R$ 388 bilhões. Depois da Vale, foi a empresa que mais distribuiu dividendo aos acionistas em 2021: R$ 12 bilhões.

As pessoas se perguntam: Por que a gasolina sobe tanto no Brasil? Só em 2021, a elevação de 49,9 quase, chega cinco vezes o IPCA da inflação. Não sem motivo, toda vez que ocorre um aumento na gasolina, outros produtos sobem em cascata, inclusive os transportes terrestres e aéreos.

Combustível alto é efeito do dólar, que sofreu aumento de 9% no ano, o que puxou para cima os preços da carne, carro, feijão, arroz. Tudo ao mesmo tempo. Portanto, essa disparada dos preços está se consolidando como a principal pauta das campanhas eleitorais em todo país, principalmente, dos candidatos à Presidência.

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