PIB chinês dispara, mas 2022 começa com apreensão

Tijolaço – A economia da China, há algum tempo a “locomotiva” da economia mundial, pelas suas repercussões na cadeia mundial de comércio, tem duas notícias hoje,, aparentemente contraditórias.

A primeira foi a surpresa com os números do Produto Interno Bruto do país, que alcançou uma expansão de 8,1%, a maior em dez anos, superando em muito a meta do governo chinês de ter uma variação acima de 6% no ano. Ainda que o crescimento de 2020, ano inaugural da pandemia, tenha sido de “apenas” 2,3% – a única grande economia com resultado positivo aquele ano – e isso tenha deixado “baixa” – as aspas são absolutamente necessárias – a base de comparação, 8,1% em 2021.

O jornal Global Times, porta-voz oficioso do governo do país comemorou o resultado:

A expansão robusta, que supera a expectativa do mercado e eclipsa a maioria das outras grandes economias em termos de dois anos, indica um caminho de recuperação econômica estável – com base na estratégia epidêmica de tolerância zero do país – que Pequim vem encenando inabalavelmente, apesar das calúnias ocidentais. e ventos contrários ao longo do ano, que variaram de surtos esporádicos de coronavirus, problemas no setor imobiliário, aumentos de preços de commodities a granel a uma crise de energia.

Mas esta é só metade da notícia, porque reflete números que não espelham a realidade do início de 2022.

A capa de hoje do The New York Times estampa a preocupação da indústria americana com um possível choque de oferta na cadeia global de suprimentos, na qual a China representa mais de um terço, “em um momento difícil para os fabricantes que já lutam com o aumento dos preços de materiais e remessas e com a escassez de trabalhadores”.

O otimismo econômico que vinha imperando no final de 2021 parece ter sido desfeito.

Por aqui, janeiro e fevereiro (porque os aumentos de “virada do ano” só vão sendo captados pelas pesquisas a partir dos pagamentos) vão ser chave para a definição de expectativas para o ano. O aumento da gasolina e, sobretudo, do diesel, e o dos preços dos alimentos, que voltou a ficar acima de 1% são sinais bem ruins.

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