O Fundão gera crise

Por Raimundo Borges
O Imparcial – A dinheirama dos fundos Eleitoral e Partidário está esquentando o juízo de pré-candidatos presidenciais e de parlamentares. O ex-juiz Sérgio Moro (Podemos) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) são os dois principais alvo da ira de parlamentares por insistirem na tese da disputa do Palácio do Planalto com poucas chances de vitória, a julgar pela posição de cada um deles nas pesquisas até aqui realizadas.

Sérgio Moro abriu uma crise no Podemos pelo perfil individualista que o faz tomar decisões sozinho, como agendar reuniões consideradas improdutivas pela bancada do partido. A bancada pressiona Moro para migrar para a União Brasil ou concorra ao Senado.

Não é de agora que os partidos estão se digladiando internamente em razão do dinheiro dos Fundos. No PSL, que divide com o PT a maior bolada do Fundão Eleitoral de R$ 5,7 bilhões, a briga não aparece em público, mas é real. E ficou mais aguerrida depois da fusão com o DEM, formando a União Brasil.

Ciro chama Moro de 'figura exótica' e cobra resposta do ex-juiz para debate  - CartaCapital
Sérgio Moro e Ciro Gomes são insistem na tese da disputa do Palácio do Planalto com poucas chances de vitória

Só a UB pode abocanha quase R$ 1 bilhão para gastar na campanha eleitoral. Como a eleição de outubro tem regras que a diferencia da de 2018 quanto a propaganda eleitoral, o Fundão é o centro do debate. Com tanto dinheiro, o partido pode atrair Sérgio Moro, que enfrenta resistência no Podemos.

Também, no PDT, deputados estão fazendo cálculos sobre os elevados gastos de uma campanha presidencial, caso Ciro Gomes não desista, como pretendem alguns parlamentares. Eles se baseiam nas pesquisas em que Sérgio Moro e Ciro Gomes travam uma batalha pelo 3º lugar nas pesquisas abaixo de 10%, contra Lula ao redor de 40% e Bolsonaro sempre ao redor de 25% e 27%.

No Podemos ao menos sete dos onze parlamentares não querem a candidatura de Moro. Eles alegam que a campanha majoritária irá dizimar a bancada federal. Os motivos vão desde os arranjos regionais à divisão do fundo eleitoral.

Esses parlamentares abençoam de vez a candidatura de Moro ao Senado pelo Paraná – tornando essa uma decisão do partido e não apenas de Álvaro Dias, que também pode disputar a única vaga. A outra opção seria o ex-juiz se filiar à União Brasil – fusão do PSL com DEM. A fusão resultou na invejável soma deR$ 1 bilhão em fundo eleitoral e partidário, graças aos 82 deputados na Câmara (54 do PSL e 28 do DEM).

Apesar dos apelos, Moro vem esbravejando contra a ideia de concorrer ao Senado, achando que tem condições de quebrar a polarização entre Lula e Bolsonaro, chegar ao 2º turno e ganhar a parada.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *