De olho na mala preta

Por Raimundo Borges
O Imparcial – As eleições de outubro estão distantes apenas oito meses, menos do que a gestação e nascimento de um bebê. Portanto é pouco tempo para a grandeza das eleições mais desafiadoras desde a ditadura militar brasileira de 1964. São as urnas de outubro que irão redefinir os parâmetros de sustentação da democracia no país, nunca antes tão achincalhada e confrontada como nesta última temporada de divisão ideológica entre esquerda e direita.

É nesse ambiente de pandemia da covid, misturado com a política que os brasileiros vão eleger no dia 2 de outubro, o presidente da República, 27 governadores, 27 senadores, 513 deputados federais e 1.059 estaduais.

Como será a primeira eleição da história democrática dentro de uma pandemia em marcha rumo aos três anos, uma legião de candidatos se apresenta ao eleitor sem nenhuma ideia inovadora – nem mesmo para enfrentar a crise sanitária.

Pelo menos sete pré-candidatos ao Palácio do Planalto fazem suas articulações, mas nenhum com definição na prancheta para combater e reduzir a pobreza esparramada no campo e nas periferias urbanas, reduzir a desigualdade entre ricos e miseráveis, ou derrubar a estratosférica taxa de desemprego, mãe legítima da violência e do travamento da economia.

Dados da FGV Social indicam que quase 28 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza no Brasil. Em 2019, antes da pandemia de Covid-19, eram pouco mais de 23 milhões de indivíduos nesta situação. O governo federal e os estaduais gastam somas bilionárias em programas de apoio à pobreza, mas todos em caráter emergencial e de olho nas eleições.

Significa colocar comida na mesa de quem pode morrer de fome e esperar o bendito voto na urna. No entanto, há de se reconhecer que a maioria dos eleitos em 2018 se valeu da pandemia para alimentar outra fome: a de riqueza com o dinheiro público.

É assustador o número de deputados, senadores e gestores públicos enriquecendo em pleno mandato eletivo e em meio à tragédia pandêmica. Não conseguem explicar para a polícia, a justiça ou ao eleitor, a acumulação de tanta fortuna entre tanta pobreza.

Fazendas, mansões, apartamentos de luxo, troca de mulheres e de maridos, jatinho, iates, tudo num jogo onde o dinheiro público e orçamento secreto são a fonte de tanto sucesso na vida pessoal, familiar e empresarial. Portanto, ainda há tempo de o eleitor, com tantas ferramentas virtuais e de órgãos de controle, não ter pressa em definir o voto no dia 2 de outubro. O que o faça com consciência e visão crítica sobre o peso de seu voto para tornar o Brasil um país de sucesso, mas para todos

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