Dia do Vinho do Porto: 7 mitos que vale a pena desconstruir sobre a bebida

Fortes – Do local de produção – que não é o Porto – à melhor formar de armazenar, uma lista de curiosidades e dicas sobre o vinho português.

Um dos mais conhecidos vinhos do mundo, o Porto é também cercado por muita desinformação ou, no mínimo, informações desencontradas. A começar pelo dia em que se celebra a bebida. Há quem diga que é hoje, 27 de janeiro, o Dia Internacional do Vinho do Porto – data estabelecida pelo Center for Wine Origins, com sede em Washington, Estados Unidos. Mas o Instituto do Vinho do Douro e do Porto (IVDP) e os especialistas ouvidos pela Forbes afirmam que o Dia internacional do Vinho do Porto é 10 de setembro, relembrando a data em que, em 1756, o Marquês de Pombal criou a mais antiga região demarcada para produção de vinho do mundo: o Douro Vinhateiro, em Portugal.

Na dúvida, que tal celebrar os dois dias? Para ajudar, a Forbes conversou com Alexandre Lalas, crítico de vinhos e formador em cursos e palestras em parceria com o IVDP, e Carlos Cabral, enófilo e consultor de vinhos do grupo Pão de Açúcar. Eles deram sugestões de como comprar, guardar e consumir vinhos do Porto, além de ajudar a desfazer confusões a respeito da bebida. “Basicamente, ela é um vinho fortificado, em que se adiciona aguardente vínica, feita de uva, para interromper o processo de fermentação”, diz Lalas. “Fica com um açúcar residual – natural, da fruta, e não adicionado -, e gradação alcoólica mais elevada que a de outros vinhos.”

7 mitos sobre vinho do Porto

1. Vinho do Porto é feito no Porto.

Não, ele é produzido em vinícolas no Douro, região do norte de Portugal, no interior. Já a cidade do Porto fica na costa, na foz do rio Douro.

2. Vinho do Porto é comercializado no Porto.

Na verdade, as grandes empresas de vinho do Porto armazenam a bebida em caves na cidade de Vila Nova de Gaia, do outro lado do rio Douro.

3. Quanto mais antigo o vinho do Porto, melhor.

Depende da categoria do vinho do Porto e das condições de armazenamento.
Os de estilo Ruby, chamados assim pela cor da bebida, em especial os das categorias Late Bottled Vintage (LBV) e Vintage, têm alto potencial de envelhecimento na garrafa. “Se você comprar um Vintage 2019, pode até beber agora, mas se esperar ele vai ganhar complexidade”, diz Lalas. Já os Porto de estilo Tawny são projetados para que essa evolução ocorra no processo de envelhecimento em madeira, estando prontos para consumo quando chegam ao mercado. “Eles ficam de sete até 100, 150 anos armazenados antes de serem engarrafados.”

Carlos Cabral, que costuma presentear filhos recém-nascidos de amigos e parentes com vinhos do Porto para que abram depois de completar 21 anos, orienta guardar as garrafas em local fresco e ventilado. Sua experiência máxima em tempo de envelhecimento de vinho do Porto foi um Waterloo Port Vintage Ferreira 1815, degustado em 2015, ou seja, 200 anos após ser produzido. “Estava um creme, uma coisa maravilhosa”, diz Cabral.

4. Vinho do Porto dura uma eternidade após aberto.

Mais uma vez, depende. Por ter teor alcoólico mais elevado (geralmente entre 19% e 22%), de fato ele pode durar mais que um vinho não fortificado. Mas um Vintage, após aberto, deve ser consumido na hora ou até um dia depois, para não perder suas características. Um Ruby mais simples, segundo Lalas, pode ficar aberto até uma semana na geladeira. Já um Tawny, até um ano.

5. Vinho do Porto é sempre bem doce.

Nem sempre. Depende da escolha do momento de interrupção da fermentação na produção. Em termos de doçura, ele pode ser muito doce, doce, meio-seco, ou extra seco (mas mesmo esse tem algum açúcar residual).

6. Vinho do Porto se bebe em pequenas taças.

Existem, de fato, pequenos cálices feitos especialmente para vinho do Porto. Mas, segundo Lalas, tudo bem usar taças maiores, até para sentir mais o aroma do vinho. A temperatura também influi: quando ele é resfriado em geladeira, a percepção do álcool e do açúcar é minimizada.

7. Vinho do Porto só vai bem com sobremesa.

“Ele pode vir antes ou depois da refeição, com a sobremesa, e mesmo durante”, diz Lalas. “Já fiz um jantar inteiro só com vinho do Porto.” Além das combinações mais clássicas com sobremesa, ele cita possibilidades como um foie gras acompanhado de um Branco envelhecido ou de um prato de cordeiro harmonizado com um Vintage. Sem contar os drinks, como o Porto Tonic. “Uso 50 ml de Porto Branco Seco; gelo a gosto, hortelã macerado e uma rodela de laranja e completo um copo alto com água tônica.”

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