No muro da guerra

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Como a “guerra quente” entre Rússia e Ucrânia, apoiada pelos Estados Unidos e a aliança ocidental (Otan) pode afetar a vida dos brasileiros? A queda expressiva nas bolsas de valores, alta do dólar que estava em queda no Brasil, a escassez de produtos e a disparada nos preços dos combustíveis e grãos, podem pegar em cheio até o pão nosso de cada dia.

Certamente, não será uma situação tão grave, porque o volume de negócios do Brasil com a Rússia não chega a ser tão volumoso. Os dois lados estão bem distantes dos principais parceiros comerciais. Em 2021, as exportações para a Rússia somaram US$ 1,587 bilhão, enquanto que, para a Ucrânia, foram de US$ 226 milhões.

Os principais produtos brasileiros exportados para a Rússia foram soja, café, frango, açúcar, amendoim, carne bovina e ferro-nióbio. E para a Ucrânia, amendoim, bauxita, açúcar, café, pulverizadores, soja e tabaco. No mesmo ano, as importações da Rússia totalizaram US$ 5,698 bilhões, e da Ucrânia US$ 211 milhões.

Os principais produtos russos importados foram componentes químicos para fertilizantes, adubos, semimanufaturados de ferro ou aço e alumínio. Já da Ucrânia: ferro, insumos para fertilizantes, medicamentos com insulina e aparelhos para preparação de café ou chá.

O incremento dessas pautas de exportação foi um dos temas da agenda entre o presidente Jair Bolsonaro e seu colega russo, Vladimir Putin, no ultimo dia 15. Agora, depois que a guerra eclodiu entre a Rússia e a Ucrânia, Bolsonaro preferiu deixar de lado esse tema literalmente explosivo, negando-se a condenar a invasão.

Até o sistema político russo é emblemático. Desde o desmonte do bloco da URSS em 1991, a Rússia superou o sistema de partido único (comunista) e tornou-se uma república federativa. Defende a separação dos três poderes, enquanto a Constituição ressalva os direitos e liberdades democráticas, tais como a de associação, de pensamento e liberdade de imprensa.

Em posição em cima do muro, Bolsonaro se limitou usar a condicionante “na medida do possível”, para desejar a paz, pois “a guerra não interessa para ninguém”. Na 5ª feira, ainda deu um pito no vice Hamilton Mourão, que pregou o uso da força contra a Rússia. “Quem fala pelo Brasil é o presidente, e ele se chama Jair Messias Bolsonaro”, avisou.

Trata-se de uma situação inusitada para a postura política do presidente brasileiro na relação com um líder autocrata, na presidência que, em abril de 2021, sancionou uma lei, aprovada pelo parlamento, que permite que a Putin concorrer às eleições por mais dois mandatos, até 2036.

 

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