Teatro desengonçado

Por Raimundo Borges
O Imparcial – Se o cenário político fosse o mesmo que cenário de peça teatral, certamente que os personagens precisariam de tempo para cada qual assumir seu papel. Assim está a pré-campanha de governador do Maranhão e dos mandatos no Legislativo.

O senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão são hoje os principais personagens a protagonizar o espetáculo eleitoral de outubro. O papel de cada um está definido no script, mas falta quem dirija a peça, pela complexidade do enredo, extraído de fatos reais. Afinal, ambos estiveram até o fim de 2021 com atores do mesmo palco.

Flávio Dino está contando os dias e horas que faltam para encerrar os sete anos e sete meses à frente do Palácio dos Leões, cuja chave passará, no dia 31 de março, ao vice Carlos Brandão, para cuidar de sua candidatura a senador.

Desse modo, o enredo que tinha Dino como diretor e protagonista desde 2014, passará às mãos de Carlos Brandão por um lado, e Weverton Rocha no outro, dividindo os aplausos ou os apupos da plateia. Os demais personagens, como Josimar do Maranhãozinho, Edivaldo Holanda Jr, Simplício Araújo e Lahésio Bonfim tentam chegar à boca do palco, mas não há espaço.

Faltam seis meses e meio para a festa democrática e o eleitor permanece sem saber como a história das eleições de outubro será contada, quando as urnas lançarem os números de votos no sistema da Justiça Eleitoral. Além da cadeira principal do Palácio dos Leões, estão no jogo uma vaga de senador, 18 de deputado federal e 42 de estadual.

É uma corrida de desesperados, mas esperançosos da conquista. O Maranhão, que rompeu em 2014 com o sarneísmo que mandou por 50 anos, agora pode avalizar, ou não a gestão de Flávio Dino. Apesar de ter usado inúmeros sarneístas na batalha que derrubou o próprio sistema, Flávio Dino conseguiu impor um novo modelo de governar.

Hoje ninguém questiona se Flávio Dino é corrupto. Afinal, ele encerra logo mais a histórica jornada única do PCdoB num governo estadual sem deixar mácula de sujeira em sua ficha governamental.

O que se discute é a continuação pelas mãos do vice e pré-candidato Carlos Brandão, ou a eventual substituição do modelo dinista pelo do pedetismo, encarnado por Weverton Rocha que, até agora, vem liderando as pesquisas de intenção de voto. Que modelo será esse, só mais adiante se saberá. Weverton diz votar em Dino para senador, mas jamais pensará em tê-lo como líder, na hipótese de sentar na principal cadeira do Palácio dos Leões.

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