Dino termina mandato no dia do golpe militar

Por Raimundo Borges

O 31 de março de 2022 está sendo um dia histórico no Maranhão, com o término do governo Flávio Dino, eleito pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), e no Brasil pela passagem, coincidentemente, dos 58 anos do golpe militar de 1964. Dino, hoje filiado ao PSB, terminou uma jornada inédita no país, de sete anos e três meses de governo, inaugurando um dos mais amplos programas de realizações no Estado e fazendo a despedida festiva, com multidão no Teatro Arthur Azevedo e depois no Palácio dos Leões.

Todos os eventos do governo tiveram ampla repercussão, pela sua relação direta com as mudanças no secretariado dos ocupantes que vão disputar eleições, assim como o anúncio do deputado Othelino Neto em permanecer no PCdoB e trocar o apoio à candidatura do Senador Weverton Rocha, pela de Carlos Brandão, que neste sábado assume o governo. Weverton aproveitou para festejar no PDT a filiação de dezenas de jovens aliados.

Governador por um dia

A transmissão do cargo no Palácio dos Leões será feita pelo próprio Othelino Neto, como governador interino por um dia. Trata-se de um bem articulado, que fez o deputado federal Josimar de Maranhãozinho desistir de concorrer ao governo, lutar pela reeleição na Câmara e apoiar Brandão.

No mesmo ambiente tenso e festivo, correu forte a especulação de que Othelino poderia assumir a vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE), do conselheiro Edimar Cutrim, pai do vice-presidente da Alema, Glaubert Cutrim. Porém, Neto estaria esperando uma posição do STF sobre a consulta se poderia ser reeleito para mais dois anos à frente da Assembleia Legislativa, no biênio da nova legislatura, a partir de 2023.

Suplente de Dino

Enquanto Flávio Dino anunciou a vice-prefeita de Pinheiro, Ana Paula (esposa de Othelino) como suplente de sua candidatura ao Senado, o PT teve a garantia de que o ex-secretário de Educação do Estado, Felipe Camarão como vice da chapa de Brandão, além de garantir mais quatro secretarias no novo governo, com outras três pastas destinadas ao PP, presidido no Maranhão pelo deputado federal André Fufuca, líder da bancada na Câmara.

Felipe Camarão será o vice na chapa de Brandão

O 31 de março caiu também na véspera do fechamento da ”janela partidária” pela qual parlamentares podem trocar de legenda sem risco de serem punidos por infidelidade partidária. Portanto, ocorreu enorme movimento de troca-troca de parlamentares e lideranças em busca de mandato em outubro. O irmão do prefeito Eduardo Braide (São Luís), Fernando Braide filiou-se no PSC, onde disputará a vaga de deputado estadual ao lado de Wellington do Curso, que era do PSDB.

Troca-troca

No mesmo partido entraram o ex-deputado Ricardo Murad, pré-candidato a estadual, com Sá Marques, Daniel Vieira de Imperatriz e outros. Para deputado federal, o mesmo PSC recebeu o deputado federal, Aluísio Mendes, Mariana Carvalho e Flávia Berthier, compondo a nominata de pretendentes à Assembleia Legislativa.

As principais movimentações, neste dia 31, dentro dos partidos, segundo levantamento do blog do jornalista Diego Emir, são as seguintes.

PTB

Roberto Rocha assumiu o comando do PTB no Maranhão para disputar a vaga de senador ou governador. Roberto Rocha Júnior deve concorrer ao cargo de deputado federal.

PSB

Os deputados Yglesio Moyses e Ariston filiam-se ao partido, assim como o filho do prefeito de Bacabal, Edvan Brandão, Davi Brandão. Todos vão para a disputa de deputado estadual.

PCdoB

Os deputados Ricardo Rios e Wendel Lages filiam-se ao PCdoB. A deputada Ana do Gás, após perder a indicação da Secretaria da Mulher, avalia deixar o partido.

MDB

O advogado Márcio Coutinho filia-se ao MDB, para a disputa de deputado estadual.

Podemos 

Após a filiação em massa do ex-prefeito de Tuntum, Cleomar Tema; dos ex-deputados estaduais Raimundo Cutrim, Cabo Campos, Jota Pinto e Penaldon; do ex-vereador de Timon, Leandro Bello e dos ex-prefeitos Júnior Cascaria de Poção de Pedras e Carrinho de São Bento. A ex-deputada estadual Valéria Macedo também deve se filiar ao partido.

PT 

Gastão Vieira filou-se ao partido e vai disputar a vaga de deputado federal.

Roberto Rocha deixa o PSDB e assume o comando do PTB

Não passou despercebido a rapidez com que o senador Roberto Rocha, que estava filiado ao PSDB, mas apenas passando o tempo, resolveu se articular com a direção nacional e assumir o comando do PTB. Deixou para trás, o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Agir36), que se diz pré-candidato a governador. Em vídeo nas redes sociais, Lahésio mostrou o inconformismo: “Não precisava”.

Reforma ministerial

No âmbito nacional, o ex-juiz e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Sérgio Moro desistiu de concorrer à presidência por uma candidatura à Câmara dos Deputados. João Dória, governador de São Paulo, que havia anunciado a desistência da candidatura, voltou atrás e afirmou que deixa o governo do estado pela corrida presidencial. 

Por sua vez, o presidente Jair Bolsonaro substituiu 10 ministros que serão candidatos às eleições de outubro. Não foi uma reforma profunda no governo porque quase todos os cargos foram ocupados por membros dos próprios ministérios. Mas vai mudar o jeito do presidente terminar o seu mandato, como candidato a reeleição.

Presidente Jair Bolsonaro substituiu 10 ministros que serão candidatos às eleições de outubro

Ordem unida

Finalmente, o 31 de março não foi esquecido pelos quarteis militares. Em ordem do dia, enviada aos comandados militares, o chefe das Forças Armadas, general Braga Neto, que deixou o cargo logo em seguida, escreveu que o golpe militar de 1964 foi um “marco histórico da evolução política brasileira”.

Ainda de tarde, o Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal para obrigar o Ministério da Defesa a apagar imediatamente a nota, assinada por Walter Braga Netto. Já o presidente Bolsonaro voltou a atacar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele pediu que algumas pessoas que não têm ideias, que não atrapalhem, coloquem suas togas e parem de “encher o saco”.

Também o ministro do STF, Luis Roberto Barroso publicou uma manifestação dura sobre a postura dos militares saudando o 31 de março como uma data histórica relevante. No mesmo rumo, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, também protestou sobre tentar rever a história escabrosa da ditadura pelos militares do atual governo Bolsonaro.

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