Mudar pelo voto

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Quando faltam apenas seis meses para as eleições gerais de outubro, o maior debate que se trava hoje no Brasil é sobre o preço dos combustíveis e o desejo de o presidente Jair Bolsonaro de privatizar, o quanto antes, a Petrobras. Parece um contrassenso haver tanto interesse de o Palácio do Planalto se desfazer da maior empresa estatal do Brasil e uma das maiores da América Latina.

O pior é que a tal venda não significa, em hipótese alguma, o barateamento da gasolina para o consumidor, do diesel para os transportes e do gás de cozinha para a dona de casa. Só vai aumentar a rentabilidade dos agiotas estrangeiros com as ações da petrolífera, que deu um lucro astronômico em 2021, de R$ 106 bilhões.

As eleições gerais têm tudo a ver é com a inflação acima de 10%, com a renda do brasileiro que caiu 9,7% em um ano; com os preços dos alimentos em disparada, com o desemprego acima de 12 milhões de pessoas, com a informalidade batendo recorde; com os 4,8 milhões de desalentados, enquanto os políticos gastam bilhões de dinheiro púbico discutindo números de pesquisas eleitorais, quem apoia quem; federação de partidos e o troca-troca entre as legendas que rendem mais voto.

É o Brasil com suas contradições, seus fracassos econômicos, seus milhões de famintos e diante do desafio de fazer com que as eleições não destruam mais ainda a esperança dos brasileiros. 

Dados do IBGE indicam que, mesmo com a redução de 19% no número dos chamados desalentados, o Brasil ainda conta com 4,8 milhões de pessoas que desistiram de procurar trabalho por não acreditar em conseguir encontrar. Esse grupo corresponde hoje a quase 3% da população em idade de trabalhar.

Significa que o maior desafio da eleição é reforçar a democracia, duramente conquistada, e mostrar ao eleitor que a troca de comando do governo terá que ser mudança de fato. Não apenas tirar um extremista de direita e colocar no lugar um esquerdista. O Brasil precisa muito mais do que ideologia no Planalto.

É necessário reconstruir os pilares do poder, a partir dos governadoresque conheçam os problemas de cada setor e saibam resolvê-los em benefício da população, não em beneficio próprio e de apaniguados. O Congresso, com o Centrão escorando e sugando o governo, só mudará de postura com o eleitor sabendo escolher deputados e senadores compromissados com o povo.

A economia do país está aos frangalhos e os banqueiros e investidores estrangeiros são os ganhadores de sempre, com a crise de sempre. Portanto, o voto consciente nunca foi tão importante para a saúde da democracia e da economia, com emprego, salário compatível, produção, dignidade e comida na mesa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *