Uma nova história

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Governar não é o ato de juntar dinheiro público e gastá-lo sem primeiro ouvir o dono: a população. Governança é misturar ideias inteligentes com a participação de quem as propõe. O Maranhão passou sete anos e três meses sob o governo Flávio Dino, que acaba neste dia 1º de abril, com um resultado bastante positivo, levando-se em conta as circunstâncias em que ele encontrou em 2015, o Estado penando no rabo da fila do desenvolvimento brasileiro.

Dino entrou quebrando vários tabus e marcando pontos inapagáveis na história política do Maranhão e do Brasil.

Foi o primeiro governador a abandonar a carreira de juiz federal, onde mantinha expressiva liderança no Judiciário. Sem opção partidária, filiou-se ao Partido Comunista do Brasil que, então, com 92 anos, nunca havia chegado ao poder em nenhum estado. E derrotou o sistema oligárquico de poder mais demorado do país, com 50 anos, num dos estados mais atrasados e de eleitorado mais conservador.

Só a capital São Luís nunca permitiu que o grupo dominante elegesse um prefeito sequer. Mas Dino soube construir uma aliança, juntando partidos do sistema sarneísta, além de colocar o tucano Carlos Brandão na vice, como aceno ao eleitorado do centro, temeroso de um “governo comunista”.

Dino conseguiu misturar esquerdistas do PCdoB, PT e PSB com direitistas do DEM, PTB, PP, PL e outras legendas, para desmontar o que sobrou do sarneísmo. Ganhou por 63,5% dos votos, contra 33,6% do emedebista Lobão Filho. Foi uma proeza histórica. De quebra, fez do então deputado federal, Roberto Rocha (PSB) o senador da única vaga disponível.

No governo, taxado de “comunista” como nos velhos tempos da ditadura militar, Flávio Dino procurou formar uma equipe jovem de técnicos e políticos e passou a controlar as ações a seu modo centralizador. Abominou o nepotismo no poder e não misturou governo com empresas pessoais, familiares ou de amigos. Um tabu quebrado no Estado, que o experiente Carlos Brandão tem agora o desafio de continuar fazendo.

Ao terminar hoje sua temporada no Palácio dos Leões, Flávio Dino deixa o legado de um governo limpo de escândalos de corrupção, com a imagem projetada nacionalmente como nenhum governante do flanco esquerda de sua geração e um robusto programa de realizações nas áreas de saúde, infraestrutura (capital e interior), direitos humanos, combate à pobreza, segurança e educação.

As escolas de tempo integral estão presentes em dezenas de municípios, a expansão da Uema, implantação do IEMA com mais de 40 cidades e o “Escola Digna”, com unidades instaladas em mais de 200 cidades e povoados. Sem dúvida um programa inspirador para um estado tão longamente penalizado.

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