Maranhão governado por um ‘socialista’ de centro

Por Raimundo Borges

Em solenidade que começou às 16h deste sábado, com o compromisso constitucional perante a Assembleia Legislativa e terminou perto das 20h, com a transmissão de cargo no Palácio dos Leões, Carlos Orleans Brandão Júnior, 63 anos passou a comandar o governo no Maranhão, em substituição a Flávio Dino, que renunciou para ser candidato a senador. Brandão chega ao poder num momento especialíssimo tanto na política, quanto na economia, em ligeira recuperação no Brasil, e a pandemia do coronavírus dando o melhor sinal de que tanto o contágio da covid quanto as mortes, desde 2020, estão chegando perto do fim.

Os fatos mais relevantes do governo tampão até 31 de dezembro são as eleições gerais de outubro e a expectativa de Brandão ser reconduzido – ou não, assim como o presidente da República Jair Bolsonaro ser reeleito para o Planalto Palácio do Planalto – ou não. No Maranhão, Flávio Dino e Carlos Orleans Brandão Junior passaram sete anos e três meses sem que o titular do mandato e o vice tivessem qualquer estremecimento na relação – por menor que pudesse ser.

Caso assim é muito raro na política entre o titular de um mandato eletivo e o vice, ou mesmo até o suplente quando se trata de senador. Essa lealdade imune a qualquer tentativa ou gesto de conspiração do vice Brandão, foi o argumento decisivo para Flávio Dino torná-lo a cartada decisiva na escolha do candidato que vai apoiar para continuar a programação de governo iniciada em 2015. Na convenção partidária em 29 de junho de 2014, Flávio Dino discursou para o PSDB de Brandão; o PDT do deputado Weverton Rocha; PSB de Roberto Rocha; e PPS (hoje Cidadania) da deputada Eliziane Gama. Ele prometeu “um Maranhão diferente, sustentado na bandeira da esperança para todos e a marca da generosidade, solidariedade e justiça social”.

O começo em 2014

Neste domingo, Carlos Brandão amanhece como o primeiro governador filho de Colinas,

De onde ele saiu para estudar Medicina Veterinária na Universidade Estadual do Maranhão e acabou engrenando na política, há mais de 30 anos. É também o primeiro governador filiado ao PSB, depois passar pelo PFL, PRB (Republicanos) e PSDB, duas vezes. Apesar de nunca ter sido militante de esquerda, Brandão está no Partido Socialista Brasileiro, pelas circunstâncias da política, produto de uma construção realizada pelo ex-governador Flávio Dino, com aval do PT estadual e nacional, que já indicou o ex-secretário de Saúde do Estado, o procurador federal licenciado, Felipe Camarão, do PT.

Com dois mandatos de deputado federal e cinco vezes secretário de Estado em diversas secretarias, Brandão é um quadro de ampla visão do Maranhão, conhecedor amiúde dos problemas atinentes ao governo e terá amplo apoio de prefeitos municipais, do setor empresarial e da Assembleia Legislativa, onde já tem maioria consolidada, a partir do presidente Othelino Neto, integrante do PCdoB. .

Deputado federal

Brandão iniciou a sua vida pública nos anos 1990, ocupando o cargo de secretário adjunto de Estado de Meio Ambiente. Ainda em meados daquela década passou pelas funções de chefe de gabinete do vice-governador, foi secretário de Estado de Articulação Política, de Desenvolvimento Regional e da Casa Civil. Sua primeira filiação político-partidária foi no PFL até chegar ao PSB, mesmo sendo um politico de centro.

Em 2006, filiou-se ao PSDB e disputou sua primeira eleição de deputado federal. Nessa ocasião, foi eleito com quase 135 mil votos. Foi reeleito em 2010, cumprindo mais um mandato federal. Assumiu a presidência estadual do PSDB em 2011. Permaneceu no cargo até o rompimento com o partido, em 2017, filiando-se ao Republicanos (até então, PRB), depois que perdeu o comando do PSDB – reconquistando-o em 2021.

O “socialista”

Como deputado federal, Carlos Brandão fez aprovar projetos de lei em benefício da cultura nordestina e maranhense. Instituiu o dia 30 de junho como Dia Nacional do Bumba Meu Boi, principal manifestação cultural do Maranhão. Através do projeto de lei, no terceiro domingo de julho, quando é celebrada a tradicional Missa do Vaqueiro, passou a ser o Dia do Vaqueiro Nordestino. Também defendeu a classe dos médicos veterinários, tornando obrigatória a participação deles no programa Saúde Pública do Ministério da Saúde.

É o autor da lei que estendeu a atuação da Codevasf aos Vales do Mearim e do Itapecuru. Renunciou ao cargo para concorrer às eleições de 2014 como vice-governador, por onde acabou assumindo o cargo pelo qual vai lutar para se reeleger em outubro. É a única vez na história do Maranhão que um “ex-comunista” do PCdoB, filiado ao PSB, transfere o governo para outro “socialista” do PSB.

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