Dino ainda tenta reunificar o grupo político com Brandão

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Em 1º de janeiro de 2015 quando assumiu o governo do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) contava com o apoio direto de 28 deputados na Assembleia Legislativa. Neste domingo, 3, quando jurou à Constituição perante o parlamento estadual e recebeu a faixa da governança de Flávio Dino (PSB)no Palácio dos Leões, Carlos Brandão (PSB) já começa com uma bancada apoiadora de 26 deputados.

É possível que essa sustentação possa crescer já nos próximos dias, ou então reduzir-se, conforme o andar da carruagem da campanha eleitoral. Brandão, obviamente, inicia o governo com um secretariado costurado para o figurino do momento, composto de políticos e técnicos, muitos remanescentes da gestão de Flávio Dino. A construção é feita para não decepcionar o esforço de sua campanha de reeleição. Junto com o governador segue uma legião de candidatos a deputado estadual e federal.

O plenário da Alema conta com 43 parlamentares, agora, todos estão divididos em blocos e partidos. O PDT, do senador Weverton Rocha tem cinco deputados; o PL, do deputado federal Josimar do Maranhãozinho, 3; o PSD, do ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Jr, 4; e o Agir36, de Lahesio Bonfim, 1.

Carlos Brandão toma posse como governador do Maranhão | Maranhão | G1
Carlos Brandão já começa com uma bancada apoiadora de 26 deputados

De todos que não são da base governista, apenas os deputados César Pires, que trocou o PV pelo PSD, e Wellington do Curso, que deixou o PSDB pelo Agir36, foram os mais duros adversários de Flávio Dino. Já em relação ao governo Brandão, de postura ideológica de centro, inconfundível com o socialismo do PSB, é uma incógnita.

O começo e o fim

Significa que Brandão chegou ao Palácio dos Leões com uma folgada base de sustentação na Assembleia Legislativa, a partir do presidente Othelino Neto, que há duas semanas desistiu de trocar o PCdoB pelo PDT, de Weverton Rocha. O importante apoio parlamentar é quase do mesmo tamanho do que Flávio Dino obteve sete anos atrás.

A grande diferença é que, em 2015 era começo de governo eleito pelo PCdoB, um novo grupo político que derrotara o sistema sarneísta de 50 anos, e uma renovação geral no secretariado. Naquela situação, a relação era de plena expectativa e de arrumação política.Era a troca de um modelo antigo por um estreante que, em 2022, vai se desdobrar para continuar com Brandão no comando a partir de 2023.

Quase todos os deputados estaduais e federais trocaram de partidos, num ajuntamento por federação ou por afinidade. Com o fim das coligações parlamentares, as eleições de outubro transcorrerão de outro modo. Vai ser cada um por si na disputa do voto. Ainda por cima, tem o próprio Brandão em busca de renovação do mandato, numa eleição que também vai testar o modelo implantado por Flávio Dino.

Fábrica de fazer votos

Para o governador, os candidatos ao Senado e aos parlamentos estadual e federal, as cobranças e demandas são posta sempre na direção da captura do voto no curtíssimo prazo. A campanha será realizada ainda no luto dos milhares que morreram na pandemia da covid19 e na esperança de que o pior da crise sanitária já passou, inclusive com a volta dos festejos juninos no sistema tradicional dos arraiais.

Sobre a disputa do Palácio dos Leões, Carlos Brandão dispõe das ferramentas que transformam ações de governo em máquina de produzir votos, assim também como servem para descontentar, principalmente, aliados de última hora. Vai ser a campanha mais esquentada, graças ao poder de disseminar boatos, pesquisas fajutas, fake news numa velocidade jamais imaginada até poucos anos.

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Flávio Dino ainda não perdeu a esperança de ter o pedetista Weverton Rocha de volta ao seu grupo

O senador Weverton Rocha (PDT) não tem ainda uma aliança partidária consolidada, mas tem dezenas de prefeitos. Segundo disse Flávio Dino à TV Mirante, na 2ª feira, ele ainda não perdeu a esperança de ter o pedetista de volta ao grupo que lidera. Explicou que mantém o diálogo aberto e que acredita na possibilidade de unidade até o prazo do fim das convenções partidárias: “Meu saudoso pai dizia que política é a arte do diálogo”.

A volta dos 20%

E acrescentou: “Eu sou um otimista. Acredito que até o fim das convenções, os 20% do nosso grupo que se descolou, volte. Nós temos 80% do grupo unido. Eu continuo a dialogar, a conversar e espero que eles venham a aderir à pré-candidatura do Carlos Brandão. Eu acredito na união e que todo o grupo político esteja unido”, afirmou Flávio Dino. Mas Dino deixou claro que falava também de Josimar de Maranhãozinho e de Simplício Araújo.

Weverton ainda não arriscou completar a chapa com vice, já que prometeu apoiar Dino para o Senado. Edivaldo Jr, Simplício Araújo e Lahesio Bonfim estão no mesmo grau de indefinição. Roberto Rocha (PTB) e Josimar de Maranhãozinho (PL) vivem na clássica posição de incerteza, musicalizada por Martinho da Vila: “Não sei se vou, não se se fico”. Portanto, o Palácio dos Leões trocou de Dino por Brandão, mas o eleitorado permanece um elemento a ser lapidado sempre – como uma peça rara.

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