3ª via sem rumo

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Os partidos já fizeram de tudo em termos de arranjos, federações, alianças e malabarismos políticos para se acomodar dentro da nova realidade eleitoral, mas a construção parece uma obra inacabada. Depois que o petista Luiz Inácio Lula da Silva passou a polarizar a disputa presidencial com o ‘liberal’ de extrema direita Jair Bolsonaro, a chamada 3ª via ficou intransitável.

Os nomes que apareceram não conseguem ir adiante e frustra todo o universo partidário e político que esperavam de Sérgio Moro, Ciro Gomes, Eduardo Leite, Simone Tebet ou João Doria um desempenho empolgante.   

A eleição de governador do Maranhão não é diferente da presidencial no quesito 3ª via. A diferença está no empate técnico entre Carlos Brandão (PSB) e Weverton Rocha (PDT), que vinha com folgada liderança nas pesquisas, mas estagnou e Brandão empatou.

No cenário nacional, a distância de Lula na frente de Bolsonaro mostra um 2º turno aguerrido. Talvez por isso, a mídia brasileira viu com euforia a reunião dessa quarta-feira (6), entre os presidentes do União Brasil (Luciano Bivar) e do MDB (Baleia Rossi) para a anunciação do maior acordo eleitoral entre partidos em 2022.

A ideia seria os dois partidos se coligarem na eleição majoritária, na qual compartilhariam os fundos eleitoral e partidário, de R$ 1,5 bilhão. O presidente do PSDB (Bruno Araújo) estará na reunião e o do Cidadania, Roberto Freire, também.

As movimentações são intensas após o fracasso dos nomes do ex-governador de São Paulo João Doria e do ex-juiz Sergio Moro. Até aqui, ambos têm sido incapazes de galvanizar apoios para animar a banda da 3ª via. Assim como acontece com Ciro Gomes, que prefere sair de metralhadora em punho, atirando a esmo, de preferência, em Lula, de quem foi ministro.

A senadora Simone Tebet (MDB-RS), pré-candidata a presidente – que na CPI da Covid chegou a comentar que nunca votou na esquerda –, já conversou com Doria e Moro. A proposta dessa movimentação toda é extrair desse cenário desfavorável um pacto com Baleia e Araújo em torno de uma candidatura só. Mas a verdade é que uma nova 3ª via está distante e cheia de obstáculos, a partir do interior das próprias legendas.

No “jovem” União Brasil, Moro incomoda ACM Neto, que não quer se indispor com o eleitorado de Lula na Bahia e não aceita a ideia de o ex-juiz disputar a Presidência. Já no PSDB a trairagem corre solta na guerra fraticida entre Doria e Eduardo Leite, e no Maranhão, só a psiquiatria explicaria uma 3ª via.

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