Começo pelo fim

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Com um secretariado composto por mais novatos nos cargos do que os remanescentes da gestão Dino, o governo Carlos Brandão começa hoje a operar a todo vapor. Ontem ele deu posse a todos os auxiliares diretos, muitos deles saídos de dentro da estrutura das respectivas secretarias, enquanto outros estão chegando com o entusiasmo de todo estreante no poder.

É um governo que “começa” pelo fim, nas circunstâncias de um mandato tampão até o ultimo dia deste ano. Caso o governador seja reeleito em outubro, é mais do que certo que haja novas alterações a partir de 2023.

Esses nove meses do governo Brandão serão de adrenalina pura. Por ser o começo de um mandato-tampão, a equipe tem muito mais ao que terminar do que planejar projetos para o médio e longo prazos. Vai ser correria o tempo todo entre as ações de governo e a movimentação da campanha eleitoral do governador.

Governador Carlos Brandão e equipe no momento da posse do secretariado, na última quarta-feira, 04/04

Portanto, Brandão terá que explicar ao eleitorado que seu programa de campanha para o mandato inteiro não será o mesmo que já encontrou em andamento, deixado por Flávio Dino. Pelas pesquisas eleitorais, Brandão tem apresentado um crescimento virtuoso desde que começou 2022.

A equipe assumiu à direção de 60 organismos da administração direta e indireta – secretarias, empresas públicas, autarquias, institutos, fundações, agencias e departamentos. A vice-governadoria ficou vazia, será ocupada, quando preciso for, pelo presidente da Assembleia Legislativa Othelino Neto. Portanto, o Estado tem uma estrutura pesada, cujos titulares tomaram posse ontem à tarde.

Foi uma situação bem diferente da ocorrida sete anos atrás, quando Flávio Dino assumiu o primeiro mandato. Desta vez, os critérios adotados para o novo governo, só Brandão sabe, mas, obviamente, exigiu-lhe muito jogo político.

Como nenhum dos secretários é candidato qualquer mandato eletivo, isso, em tese, tem significado positivo para a máquina do governo. Trata-se de uma situação nada parecida com os que deixaram os cargos por exigência da legislação eleitoral para quem vai concorrer às eleições.

Será uma missão de encerramento de mandato, mas também o espaço que cada um tem para mostrar talento, criatividade, arrojo e espírito público. É tudo e mais alguma coisa que Brandão precisa para impulsionar sua candidatura à renovação do mandato. Então, fim de governo é também o começo de esperanças renovadas.

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