O voto juvenil

Por Raimundo Borges

O Imparcial – A pouco mais de cinco meses das eleições de outubro, o voto no Brasil continua gerando polêmica. Por exemplo, o PT de Lula, vários artistas como Anitta, Martinho da Vila, intelectuais e partidos de esquerda abrem campanha para tentar levar às urnas, os 10 milhões de adolescentes de 16 e 17 anos como eleitores.

É sinal de que, apesar da democracia representativa no país, milhões de jovens ainda não se sentem animados a escolher os seus representantes no Executivo e Legislativo. Eles adquiriram esse direito ao preço da luta de muitos democratas desde a Constituição de 1988. Assim também são os analfabetos, cujo voto passou a valer tanto quanto o de um doutor.

Votar é um ato civilizado e histórico. Tanto hoje como foi desde os primeiros anos de o Brasil colonial. Apenas 32 anos da descoberta por Pedro Álvaro Cabral, os eleitores se reuniram para eleger o Conselho Municipal na Vila de São Vicente. Nem precisa dizer como teria sido essa “eleição” entre e portugueses e índios.

Somente em 1821 os brasileiros deixaram de votar apenas em âmbito municipal. Como não havia lei eleitoral nem parlamento, o Brasil adotou dispositivo da Constituição espanhola, para eleger 72 parlamentares junto à corte portuguesa. Só homens livres e os analfabetos votaram.

Porém, a primeira constituição brasileira de 1824 já trouxe a legislação eleitoral, mas com discriminação de mulheres, negros e pobres, além de facilitar fraudes em todas as etapas do processo político.

O titulo só de eleitor só veio em 1881. Na época, mortos e crianças também votavam, além de pessoas de outros lugares, prática usual até hoje, com as mudanças de domicílio eleitoral fraudado entre municípios.

Com a proclamação da República em 1889, menores de 21 anos, mulheres, analfabetos, mendigos, soldados rasos, indígenas e integrantes do clero eram proibidos de votar.

Tantos séculos se passaram e o voto permanece dando dor de cabeça nos políticos. Hoje, quando o presidente Jair Bolsonaro repudia a urna eletrônica, milhões de adolescentes de 16 e 17 anos, prontos para participar da democracia, ainda precisam de campanha para tirar o título eleitoral.

O ex-presidente Lula, entidades sociais, times de futebol, escolas de samba, o TSE e intelectuais querem convencer a essa faixa jovem do eleitorado ao ato de votar.

É um imenso capital político que precisa ser mobilizado, pois tem o poder de decidir uma eleição em vários níveis de representação. “O Brasil precisa de você”, é o lema da busca do voto juvenil.

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