Do café ao chocolate: uma receita maranhense de sucesso

FIEMA – Minha terra tem Palmeiras… e cacau. Sim! E às vésperas da Páscoa e para a surpresa de muita gente, também tem indústria de chocolate. Mas comecemos pelo cacau, ingrediente mais importante da receita de sucesso que, além de começar com o café, leva muito, mas muito chocolate. A ele, adiciona-se outros condimentos fundamentais: tradição de família, verdade, amor e dedicação.   

O modo de fazer começou na antiga fábrica do café Pinheiro, na Estrada de Ribamar. A pequena empresa familiar processava café de maneira artesanal para ser comercializado em São Luís. O tempo passou e o lugar foi desativado até que, em 1997, uma viagem a cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul, mudaria o rumo da história dessa família tipicamente maranhense. 

Dona Maria de Lurdes Alencar ficou maravilhada com as delícias feitas de chocolate, típicas da serra gaúcha, apresentadas em formatos variados. Curiosa, ela começou a pesquisar para saber mais sobre a atividade envolvendo a guloseima e encontrou um artigo de uma revista de negócios, que afirmava que o Nordeste tinha capacidade para a instalação de 5 (cinco) indústrias de chocolate. Esse foi o gatilho para ela começar. 

Visionária, dona Lurdes decidiu apostar no negócio com chocolate e teve a filha, Conceição de Maria Pinheiro, como grande apoiadora do projeto. “Essa é uma história de luta e de superação que começou com a minha mãe. Ela quem sonhou e conquistou as primeiras vitórias desde 1997. De lá para cá a gente aprendeu muito”, conta. 

“No início, a produção acontecia de forma caseira e tivemos a primeira grande oportunidade com a antiga rede de supermercados Lusitana, que era a maior de São Luís”, relembra dona Lurdes. Ela recorda ainda que nessa época, a produção não conseguia atender a demanda do supermercado, mesmo trabalhando dia e noite na fábrica.

INDÚSTRIA ATIVA NA PÁSCOA – O sonho que virou realidade, chama-se Paladino, uma empresa que se orgulha em ser genuinamente maranhense. A marca oficializada em 2013, teve como carro-chefe a produção de ovos de Páscoa e, em 2016, lançou as famosas trufas. Conceição conta que o nome da fábrica foi escolhido por identificação da família com o significado da palavra. “Paladino é um guerreiro medieval que tem como valores a busca da verdade e a luta pela justiça. A palavra de um paladino é inquestionável. Esses são valores que buscamos, pois aqui a gente sempre lutou muito e trabalhou pela verdade. E a força de um Paladino representa a força da nossa empresa, do que produzimos”. 

Os chocolates da Paladino já são conhecidos da população maranhense e podem ser encontrados nas maiores redes de supermercados do Maranhão. Conceição tem projetos para a expansão do negócio além-fronteiras brasileiras. “A nossa experiência nos dá uma sólida autoridade no ramo. O Maranhão pode se orgulhar porque fazemos as melhores trufas do Brasil. Estamos nos preparando para lançar o nosso chocolate, expandir a nossa linha de produtos para o exterior. Para isso, contamos com uma consultoria que vem estudando esse projeto”, afirma Conceição.  

Em visita à Paladino, a coordenadora de Responsabilidade Social da indústria de energia ENEVA, Elizabeth Teles, conheceu as instalações da fábrica. O encontro foi promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), em uma iniciativa do Programa de Desenvolvimento de Fornecedores do Maranhão (PDF). 

CACAU E A AGRICULTURA FAMILIAR – A FIEMA/PDF conectou as empresas a partir dos seus interesses complementares. Entre as diversas ações sociais da ENEVA, está o apoio ao polo agrícola HortCanaã, que fica no povoado Pindoba, no município de Paço do Lumiar, com famílias que vivem da agricultura familiar – modalidade em que o cultivo da terra é realizado por pequenos proprietários rurais, tendo como mão de obra, essencialmente, o núcleo familiar. Lá, o cacau é cultivado organicamente, por meio de técnicas específicas sem a utilização de agrotóxicos e fertilizantes, com produção saudável, priorizando a qualidade do alimento. O que se ajustou à necessidade da Paladino que quer investir em uma linha 100% orgânica e maranhense. “Fiquei imensamente feliz em saber que temos produtores orgânicos de cacau pertinho da gente. Queremos nos fortalecer mais no mercado com novos produtos e a nossa estratégia é utilizar artigos regionais, enaltecer o que é nosso”.  

CHOCOLATE SUSTENTÁVEL – A pegada competitiva da sustentabilidade é o que diferencia e destaca a fábrica Tapuio Chocolates, também genuinamente maranhense, como a pioneira no Estado na produção do chocolate que leva cacau 100% orgânico produzido no Maranhão.

Os chocolates Tapuio são feitos artesanalmente com amêndoas de cacau colhidas e fermentadas de forma ecológica e sócio sustentável, sem qualquer aditivo químico, proporcionando uma singular experiência sensorial. A empresária proprietária, Fernanda Lisboa, utiliza amêndoas do cacau plantado em terras maranhenses, cultivado por agricultores da comunidade HortCanaã na produção.  

“Quando eu criei o projeto para o beneficiamento de cacau e plantio no sistema agroflorestal aqui no Maranhão, apresentei-o ao PDF, que apoiou o projeto e deu o start com relação ao projeto social junto com a ENEVA, que virou nossa parceira”, narra Fernanda.   

Os agricultores parceiros da Tapuio chocolates escolheram trabalhar somente com frutíferas, o que agrega valor à produção. “Por isso os produtos da Tapuio são diferenciados. O que a gente quer é que esses agricultores sejam bem remunerados e que tenhamos um plantio sustentável, que consiga recuperar o solo e a biodiversidade. Por meio do sistema agroflorestal a gente recupera o bioma local. Estamos na verdade, reproduzindo a natureza do jeito que Deus entregou para a gente”, relata Fernanda, que comercializa os chocolates em uma loja própria localizada no bairro Renascença, em São Luís. 

“A Tapuio Chocolates é um modelo de negócio que incorporou a sustentabilidade em seu DNA para evoluir de forma consciente, um diferencial competitivo no mercado que valoriza muito mais a marca”, afirma Carlos Jorge Taborda, coordenador do PDF pela FIEMA.   

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