O escândalo fálico

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Pelo menos em quatro vezes entre 2020 e 2021, o presidente Jair Bolsonaro (PL) fez grupos de apoiadores no ‘cercadinho’ do Palácio da Alvorada, a caírem na gargalhada, ao se considerar “imorrível, incomivel e imbrochável”. Ele respondia a indagações sobre seu estado de saúde, por não usar máscara, negar a gravidade da covid19 e combater os governadores e prefeitos que decretavam distanciamento social, lockdown e outras medidas sanitárias.

Agora, com a pandemia na fase mais branda, surge o escândalo fálico dos gastos de milhões de reais aonde nunca se imaginava: nas Forças Armadas, com compras de Viagra e outros ‘armamentos’ eróticos, as falas presidenciais terão que mudar de tom.

O que torna mais inusitada é a justificativa para compra de perto de 50 mil comprimidos de Viagra para Exército, Marinha e Aeronáutica. Hipertensão arterial. Porém, os cardiologistas são unânimes em constatar que a hipertensão arterial pulmonar alegada, tem a dosagem de 20 mg. Mas o governo licitou medicação de 25 mg e 50 mg e não respondeu quantos militares sofrem dessa doença.

Estudos mostram que, na população geral, incidência é de um caso para cada 250 mil pessoas. Em razão dessas surpreendentes aquisições, o deputado federal Bira do Pindaré (PSB) está colhendo assinatura para instalar a CPI do Viagra.

Diante da imensa repercussão no estrangeiro, Bolsonaro estaria repensando a escolha do ministro da Defesa, general Braga Neto para vice de sua chapa. Ele já declarou que o militar tem 90% de chance de substituir o atual Hamilton Mourão. E foi da pasta de Braga Neto que saiu a licitação para compra nada convencional nos quartéis e.

Mas a informação oficial é de que o medicamento mundialmente conhecido para casos de disfunção erétil, nas Forças Armadas será usado no tratamento de militares com hipertensão pulmonar arterial (HPA). Na compra existem até remédios para calvície e botox.

A compra do Viagra foi revelada pela colunista Bela Megale (Portal O Globo), com informações do deputado Elias Vaz (PSB-GO). Ele se muniu de Dados do Portal da Transparência e do Painel de Preços do governo federal. Os militares realizaram oito pregões para a compra do medicamento entre 2020 e 2021, que seguem válidos neste ano.

Ela noticiou ainda que os militares gastaram ainda R$ 56 milhões na comprar de picanha, filé mignon e salmão – entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2022. Já os comprimidos de Viagra foram licitados por R$ 3,5 milhões. É assim, enquanto sobra Viagra nos quartéis, falta comida no prato da pobreza.

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