Massacre milenar

Mulheres indígenas marcharam, durante o Acampamento Terra Livre em Brasília, contra o “PL da Mineração” – Mídia Ninja

Por Raimundo Borges

O Imparcial –  O chamado Dia do Índio em 19 de abril, oficializado desde 1943, tem sido lembrado nas escolas, de forma folclórica, onde crianças brancas têm o rosto pintado como fazem os silvícolas. Porém, entre as tribos que restam no Brasil, o massacre dos donos das florestas nunca parou desde 1500.

Quando Pedro Álvaro Cabral desembarcou no Brasil como descobridor da Terra Vera Cruz, há 1522 anos, a população encontrada era entre 5 milhões e 10 milhões de índios de diferentes etnias. Hoje eles são apenas 897 mil, sendo 517 mil em reservas “protegidas”, com 305 etnias, adotando 274 línguas.

Durante tantos séculos, o processo de genocídio contra os povos indígenas nunca parou, apesar do avanço civilizatório no mundo. Os verdadeiros herdeiros dos donos das terras descobertas por Cabral e sua comitiva de aventureiros estão em guerra permanente para não serem completamente extintos e seus territórios tomados por todo tipo de criminosos na ganância de ganhar dinheiro, explorando os recursos naturais.

Para ilustrar esse argumento, vale citar que entre agosto de 2018 e julho de 2019, os territórios indígenas brasileiros tiveram 423,3 km² desmatados. Isso representa um crescimento de 74% em relação ao período de agosto de 2017 a julho de 2018, quando foram desmatados 242,5 km².

A terra mais afetada fica no Pará e abriga povos isolados. Portanto, o Dia do Índio é uma data que não serve penas para pintar rostinhos de crianças na escola básica, mas, principalmente, apoiar a luta dos povos indígenas contra a invasão de suas terras e a matança de suas lideranças, tolerada pelas autoridades e até apoiada por entidades empresariais do agronegócio.

O dia do índio, que Baby Consuelo transformou num poema que virou o clássico da MPB, “Todo dia é Dia de Índio”, começou na proposta saída do Congresso Indigenista Interamericano, em abril de 1940, no México, que sofreu boicote de parte das representações indigenistas dos 47 países do continente.

Três anos depois o marechal Rondon convenceu o ditador Getúlio Vargas e decretar o Dia do Índio em 19 de abril.

Hoje, tantos anos depois com a perda de milhares e milhares de vidas, o governo federal está fazendo manobras de todas as formas possíveis para permitir que as terras indígenas sejam transformadas em pastagens, exploração madeireira e mineral, além de boicotar os processos de fiscalização e demarcação – hoje paralisadas.

Os índios, mesmo com a visibilidade adquirida com a Constituição de 1988, ainda assim são humilhados, massacrados e até escravizados por exploradores, que ganham bilhões de reais apenas na exploração mineral clandestina

Um comentário em “Massacre milenar

  • 20 de abril de 2022 em 17:44
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    Muito pertinente seu texto. Os dados que vc apresenta são reais e denotam o quanto os governos brasileiros foram negligentes e são responsáveis pelo genocídio das populações indígenas. Cabe a nós estudiosos e enquanto sociedade civil denunciar e lutar para impedir que os grupos que resistem sejam dizimados pela ganância dos madeireiros, garimpeiros que representam o grande capital. Pressionar o governo e o Congresso para barrar os projetos de apropriação das terras indígenas é obrigação de todo cidadão consciente

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