Divergências do PT não barram indicação de Camarão para vice de Carlos Brandão

Por Raimundo Borges

O Imparcial – A dissidência do PT maranhense sobre a disputa pela indicação do vice na chapa de Carlos Brandão (PSB) se resume nas correntes minoritárias, lideradas por Márcio Jardim (Secretário de Comunicação de Maricá-RJ), Honorato Fernandes, ex-vereador de São Luís e Paulo Romão. Os três foram secretários no primeiro mandato de Flávio Dino e hoje estão fora da administração estadual. Decidiram apoiar a candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) e resolveram até fazer uma reunião, quarta-feira, na Fetaema (Federação dos Trabalhadores na Agricultura) para reafirmar a posição, mesmo sem alcançar o sucesso esperado.

Por outro lado, dirigentes do PT estadual minimizam a encrenca interna. Garantem que não existe qualquer chance de a Executiva Nacional vir a intervir no Estadual, como já fez duas vezes no passado – a última em 2010, quando a ordem foi apoiar Roseana Sarney e não Flávio Dino, como havia decidido o diretório regional. O que vai sacramentar a indicação do vice de Carlos Brandão, o ex-secretário de Educação de Flávio Dino, Felipe Camarão é o encontro estadual, marcado para 28 e 29 de maio. Mesmo dividido entre várias correntes, mas o controle dos 160 votos dos delegados está com as lideranças pró-Brandão.

São ligadas ao presidente atual, Francimar Melo, o seu antecessor e atual vice-presidente, Augusto Lobato, o deputado Federal José Carlos e o estadual José Inácio. Até o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Washington Oliveira, mesmo afastado do PT, mas ainda tem forte influência nos bastidores. Os seus aliados participaram do governo Roseana Sarney, quando ele era vice-governador, assim como alguns deles estão marcando presença em quatro secretarias que o PT ocupa no governo Carlos Brandão, alinhado com Roseana Sarney.

Para o presidente estadual Francimar Melo, em entrevista à este jornalista no programa Band Entrevista, que será levada ao ar neste sábado às 19h, não existe qualquer chance de a indicação de Felipe Camarão vir a ser vetada no encontro. Este ano, o PT nacional deu mais poder de decisão aos diretórios regionais para alianças que resultem em fortalecimento da candidatura de Lula ao Planalto. “No PT as divergências são partes da democracia interna, mas ninguém vai à goela do outro quando a discussão se radicaliza. Acabou, todos estão juntos”, afiançou. 

Outro fato que permanece em debate dentro do PT é sobre a participação do ex-presidente Lula na campanha eleitoral do Maranhão. Enquanto o senador WevertonRocha colou sua pré-campanha à imagem do petista e ignora a figura do pedetista Ciro Gomes, do lado de Carlos Brandão a ligação não é diferente. O que difere dos dois concorrentes ao Palácio dos Leões sobre Lula é a maioria do PT que está decidida a apoiar Brandão, filiado ao PSB junto com Flávio Dino e Geraldo Alkmin, indicado para vice de Luiz Inácio Lula da Silva.

 PT de São Luís que tem na figura do ex-vereador Honorato Fernandes sua liderança maior, não tem, no entanto, a representatividade interna na agremiação para virar o jogo comandado pelo diretório estadual. O que a legenda do Maranhão sempre n negociou bem é o simbolismo do nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o qual chegou ao governo, com o então presidente Washington Oliveira com vice de Roseana Sarney, contra a ira de Domingos Dutra, então deputado federal e radical opositor do sarneísmo, junto com Manoel da Conceição. Fizeram até greve de fome em 2010, em protesto na Câmara dos Deputados, contra a intervenção.

O símbolo político e histórico de Lula é tão forte que o senador Weverton Rocha cola sua imagem à do petista, enquanto o pedetista Ciro Gomes, candidato presidencial não é lembrado. O mesmo Ciro que tirou Lula como alvo preferencial de seus ataques onde quer que possa fazê-los. Lula rachou o PSDB e fez de Geraldo Alckmin, quatro vezes governador de São Paulo, um “socialista” circunstancial, em troca de colocá-lo como companheiro de chapa, enquanto o petista Fernando Haddad lidera com folga as pesquisas para governador de São Paulo.

Não foi diferente a engrenagem montada no Maranhão pelo ex-governador Flávio Dino, o político maranhense mais próximo de Lula, para tirar o seu vice Carlos Brandão no PSDB e levá-lo para o PSB, seu partido atual. No arremate, Brandão aceita de bom grado Felipe Camarão, um novato no PT, como vice de sua chapa – um dos principais homens de confiança no governo Flávio Dino, como secretário de Educação do começo ao fim.

2 comentários em “Divergências do PT não barram indicação de Camarão para vice de Carlos Brandão

  • 23 de abril de 2022 em 14:20
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    A matéria não cita o que o restante da imprensa maranhense cita, qual seja, que existe uma movimentação entre filiados do PT para a (pré) indicação do deputado Zé Inácio para a disputa da vaga de vice de Carlos Brandão, do PSB. Por que o jornalista silenciou esta questão já conhecida no Maranhão? Uma parte do PT que aceita e apoia a eleição de Carlos Brandão, também aceita e apoia o deputado Zé Inácio como vice do sucessor de Flávio Dino.

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  • 23 de abril de 2022 em 14:41
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    Zé Inácio sim será um ótimo vice na chapa do Brandão. Verdadeiro petista, e honra o nome do partido com amor e conquistas.

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