Macron reeleito na França: unir país e aprovar reforma impopular são desafios do presidente

Reeleito no domingo (24/4), o presidente francês, Emmanuel Macron, terá vários desafios em seu segundo mandato. Um dos principais será unir a França após estas eleições e obter apoio das classes mais populares, que preferiram majoritariamente votar em candidatos radicais de direita e de esquerda (nesse caso, no primeiro turno) ou se abster de votar. Disso depende a força da oposição que Macron poderá ter de enfrentar após as legislativas de junho e o avanço de medidas impopulares, como a reforma da aposentadoria.

Segundo resultados definitivos do Ministério do Interior, Macron foi reeleito com 58,54% dos votos. Marine Le Pen, da direita radical, sua rival no segundo turno, obteve 41,46%, o melhor resultado já obtido pelo Reunião Nacional (também conhecido em português como Reagrupamento Nacional, ex-Frente Nacional) em uma votação.

A abstenção foi de 28%, uma das mais elevadas nas últimas décadas.

Apesar de ter vencido com uma vantagem considerável, ainda mais para um presidente em exercício, houve um avanço considerável da direita radical de Le Pen, que no segundo turno da eleição presidencial de 2017 havia obtido 33,9% dos votos.

A vitória de Macron com uma boa diferença sobre Le Pen foi possível graças sobretudo aos votos de parte do eleitorado de Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical – que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 22%. Como Le Pen, Mélenchon também atrai principalmente franceses com menor renda.

O objetivo desses eleitores da esquerda radical ao votar em Macron no segundo turno foi unicamente para barrar a ascensão de Le Pen ao poder. Mas uma parte minoritária do eleitorado de Mélenchon decidiu optar por Le Pen, no extremo oposto do espectro político, como uma forma de protesto contra Macron. O presidente tem sofrido inúmeras críticas por não ter se preocupado com a população de mais baixa renda.

Em seu discurso na noite de domingo, após a divulgação das projeções que indicaram sua vitória, realizado nos jardins do Champs de Mars, com a torre Eiffel ao fundo (em 2017, Macron havia escolhido a pirâmide do Louvre como cenário), o presidente reeleito reconheceu que a França está dividida e prometeu encontrar “respostas” aos franceses que expressaram “raiva e desacordos” ao votar em Le Pen ou que se abstiveram nas eleições.

Ele também reconheceu que parte dos eleitores votou nele “não para apoiar suas ideias, mas para barrar a extrema direita” e afirmou querer levar seu projeto “com força nos próximos anos, sendo depositário também das divisões e diferenças que foram exprimidas.”

Macron disse ainda no discurso que “não é o candidato de um campo, mas o presidente de todos” e prometeu reformular o método de governar a França, afirmando que os próximos anos não serão “uma continuidade” do atual mandato. Ele declarou também que “ninguém será deixado na beira do caminho.”

Resultado da eleicao francesa

Reconciliar a França da classe média alta e dos grandes centros urbanos, além de aposentados de maior renda que constitui o eleitorado de Macron com a França mais popular, de regiões com maior nível de desemprego ou zonas rurais e pequenas localidades que opta por Le Pen (e periferias pobres, onde Mélenchon teve bom desempenho) é importante para um outro desafio de Macron: garantir maioria parlamentar nas eleições legislativas de junho.

Mais em BBC News

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *