Bolsonaro ganha 40 mil robôs no Twitter em dois dias

A proposta feita por Elon Musk para comprar o Twitter foi aceita na última segunda-feira (25) e, de lá para cá, o presidente Jair Bolsonaro ganhou 40 mil seguidores robôs. Influenciadores e políticos de direita usaram a plataforma para comemorar o engajamento manipulado com o discurso que o empresário sul-africano dará “liberdade de expressão” aos usuários.

Musk tem feito promessas de garantir total liberdade para que os perfis da ferramenta opinem sem qualquer restrição e o grupo bolsonarista passou a defender a tese que a ferramenta de redução de alcance de publicações foi derrubada nas últimas horas, o que permitiu a chegada de “novos seguidores”.

“Em poucas horas, após o anúncio da compra do Twitter por Elon Musk, ganhei mais da metade de seguidores que normalmente ganho em um mês. Algumas mudanças no engajamento já são perceptíveis. Era fato que o algoritmo anterior sabotava as contas”, escreveu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“Minha conta do Twitter há tempos estava sendo limitada com redução drástica de alcance dos tweets. Meus novos seguidores ficavam numa média de 700 ao dia. Ontem meu alcance voltou ao normal e obtive 8 mil novos seguidores”, comentou o deputado Carlos Jordy, que faz parte da base de apoio do governo.

Nesta terça, às 17h39, o analista de dados Pedro Barciela mostrou o crescimento de Jair Bolsonaro e dos seus apoiadores. “Movimentação estranha no Twitter: se analisarmos os dias 24 e 25/05, Jair Bolsonaro ganhou 31 mil seguidores, 155% a mais do que ganhou nos dois dias anteriores, por exemplo”, iniciou a explicação.

“Zambelli ganhou 23 mil no mesmo período, 307% a mais do que no período anterior. Bia Kicis 19 mil, 368% a mais. Carlos Bolsonaro, 19 mil e 358% a mais do que no período anterior. Flávio Bolsonaro ganhou 17 mil seguidores, 300% a mais do que no período anterior”, acrescentou.

“É estranho porque o volume de interações de Zambelli caiu 10%, de Carlos 60% e de Flávio 55% no mesmo período. Atores da oposição, como Lula, perderam 11 mil seguidores. Haddad, 1.3 mil e Gleisi Hoffmann 940”, continuou.

No fim da sua análise, ele evidenciou que não há qualquer questão orgânica em relação ao aumento de seguidores por parte dos bolsonaristas. “Reflexos da aquisição do Twitter? Duvido muito. Mas algo se moveu e definitivamente não foi orgânico”, completou.

 

Jair Bolsonaro e os robôs

Às 19h04, desta terça, o engenheiro Christopher Bouzy também se manifestou sobre os índices de crescimento de Bolsonaro. Em 2018, ele lançou a plataforma Bot Sentinel para identificar se determinado perfil do Twitter é um robô automatizado, os famosos bot.

A ferramenta cresceu muito, tornando-se popular nos Estados Unidos para investigar campanhas de ódio. O caso mais famoso envolveu o casal Harry e Meghan Markle. O analista identificou que o Brasil tem papel de destaque quando o assunto é desinformação.

Por conta disso, ele tem acompanhado de perto os movimentos políticos do país e a Bot Sentinel analisou 65 mil contas que começaram a seguir o presidente brasileiro de ontem para hoje.

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