As travessuras do PT

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Entender o PT do Maranhão é preciso morar no PT. Conviver com suas correntes ideológicas, brigar dentro delas e se confraternizar no mesmo ambiente quando houver sucesso. Só quem ajudou a fundar o PT ou tem mais de 20 anos atuando em suas entranhas, táticas, movimentos é capaz de entendê-lo.

É a mesma situação de um morador da Península se mudar para o bairro Areinha, em São Luís, e tentar entender a vida de seus habitantes. É uma incrível experiência pluralizada, debaixo da mesma estrela vermelha. Mesmo assim, é o único caso de um partido levar ao Palácio do Planalto dois presidentes seguidos – oito anos de Lula e seis de Dilma Rousseff –, derrubada no golpe de 2016.

No Maranhão o PT já sofreu intervenção nacional em 2010, por decidir por maioria de três de votos de vantagem, apoiar a candidatura de Flávio Dino (PCdoB) ao governo.

Como Lula passou a gostar do PMDB, de José Sarney, presidente do Senado, e de Michel Temer, vice de Dilma Rousseff, a intervenção foi decretada em favor de Roseana Sarney, que ganhou a eleição de Flávio Dino, tendo o petista Washington Oliveira como vice. Nessa condição ele foi indicado para o Tribunal de Contas do Estado, órgão que hoje ele preside. Como não existe ex-petista, e sim ex-filiado, Washington ainda tem forte influência no PT.

Daqui a um mês, o PT maranhense vai realizar seu encontro estadual para eleger o vice do pré-candidato Carlos Brandão, fruto da aliança costurada com o PSB, hoje morada do próprio chefe do Executivo e de seu antecessor Flávio Dino.

A votação envolve 160 delegados que vão indicar o vice entre Felipe Camarão e o deputado estadual José Inácio, cujo “campo” reúne correntes lideradas pelo presidente Francimar Melo, o vice Augusto Lobato, o deputado federal José Carlos, o ex-secretário de Direitos Humanos Francisco Gonçalves e várias outras figuras que batem cabeça na legenda. São eles que vão escolher cada delegado.

Até agora, todos “campos” petistas têm consciência de que só uma reviravolta inesperada tiraria Felipe Camarão da chapa de Brandão. Mas Zé Inácio, que precisa garantir sua reeleição, vai alimentar a expectativa de que pode ser ele o companheiro de Brandão.

A confusão é tanta que até Weverton Rocha (PDT), adversário de Brandão na disputa estadual, joga pesado para abiscoitar vantagem na divisão interna do PT. Ele receber Lula em seu palanque seria o troféu para exibir a sua plateia. Mas Brandão cedeu quatro secretarias ao PT e está no PSB, legenda que já indicou Geraldo Alckmin vice de Lula, com quem o petista vai percorrer o Brasil antes e depois das convenções entre 20 de julho e 5 de agosto.

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