Brasil profundo?

Por Raimundo Borges

O Imparcial -Faltam cinco meses para as eleições de outubro e o cenário político nunca esteve tão tenso desde a redemocratização. O país começa a sentir o fim do ‘novo normal’ e a retomada das atividades como na pré-pandemia. É um momento em que apesar da disparada inflacionária, a economia dá sinais de recuperação.

Todos no Brasil querem deixar para trás os desassossegos da pandemia, o sofrimento com 663 mil vidas perdidas e 30,4 milhões de casos de covid19. Mesmo assim, a crise institucional envolvendo o governo Jair Bolsonaro e o Supremo tribunal Federal cada dia chega mais perto do caos e das Forças Armadas. 

Com esse cenário otimista, o presidente Jair Bolsonaro não só tem se mostrado um candidato competitivo à reeleição como vem crescendo nas últimas pesquisas. Tem diminuído a distância do ex-presidente Lula que, porém, lidera as intenções de votos, ainda com alguma chance de ganhar no primeiro turno.

Um dos fatores que beneficiou Bolsonaro foi a saída do páreo, do ex-juiz Sérgio Moro, hoje provável candidato a deputado federal e a distribuição da dinheirama do Auxílio Brasil, parte do FGTS e a antecipação 13º aos aposentados do INSS. Bolsonaro tem cravado um percentual que fica ao redor de 30% das intenções de votos.

Com esse cenário favorável, o presidente aguçou ainda mais o confronto com o Supremo Tribunal Federal, apoiado pela extrema-direita que o segue fiel, como nunca se viu na história recente do Brasil.

O que o desfavorece é a alta rejeição, muito acima de todos os outros governos, com exceção de Dilma no segundo mandato e de Temer.Soma-se a isso o fator econômico da inflação, que chegou em marçosendo a maior para o período em 28 anos. Em 12 meses, a alta de preços acumula 11,30%, o maior percentual desde outubro de 2003 – a parte pior concentrada nos combustíveis e nos alimentos.

Há pesquisadores que analisa o bolsonarismo brasileiro não como um fenômeno político decorrente do que acontece fora do país, de ascensão da extrema direita, como Donald Trump; Viktor Orbán, na Hungria; ou Rodrigo Duterte nas Filipinas. Para esses analistas, o bolsonarismo, de fato, conseguiu explorar a dispersão de informação via WhatsApp, Telegram e comunidades de Facebook.

Mas também havia uma conexão de ideias chamadas de “Brasil profundo” – definido como um conjunto de práticas e de mentalidades que depois se tornam comportamentos políticos. Pode se resumir isso num Brasil surreal.

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