PF sem carne

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Em tempos de vacas gordas para o agro, o Brasil passa por uma contradição gastronômica. É desaparecimento progressivo da carne no prato das classes pobres e média. Esta já não é tão “media” como já foi e luta para não esbarrar no caminho sem volta da pobreza absoluta, que derrota as esperança e desarruma a economia.

As cidades se veem tomadas por camelôs em busca do sustento a qualquer preço, vendendo qualquer coisa que se possa imaginar. Tal condição está mudando os hábitos alimentares de grande parte dos brasileiros. Até o clássico feijão com arroz está saindo do padrão.

Com a renda despencando diante da robustez da inflação, a carne vai se distanciando da mesa dessas populações desempregadas ou empurradas para a informalidade.

No período de 2020 a 2022 (desde o início da pandemia), a alta acumulada da inflação chega a 39%. Os alimentos da cesta básica tiveram aumento de preço muito acima da inflação entre fevereiro de 2019 e março de 2022, segundo o Dieese. Assim, a escalada de preços de produtos básicos subiram 45%, frente a 21,5% do IPCA acumulado. As maiores altas foram puxadas pelas commodities carne, feijão, soja, café e açúcar.

Os fatores que seriam responsáveis pela disparada dos preços são: o fenômeno La Niña que impactou no clima global nos últimos dois anos. No Brasil, estiagem, geadas e excesso de chuvas prejudicaram o setor agropecuário.

Também o mercado global por commodities, com o avanço demográfico mundial, que a ONU projeta para 9,6 bilhões em 2050, algo em torno de 23% sobre os 7,8 bilhões de hoje. A cadeia global de insumos estava em equilíbrio frágil antes da pandemia de covid-19.

Com a crise sanitária, a estabilidade foi rompida. E ainda, a crise hídrica de 2021 no Brasil e o efeito cascata da guerra na Ucrânia, com forte pressão sobre os fertilizantes e a produção de outros bens de consumo.

Diante de cenários tão adversos, o popular prato feito (pf), vendido nas cidades à imensa legião de consumidores desempregados e subempregados, está mudando de tamanho e de conteúdo. Diferente do original, agora lhe falta carne. Virou uma mistura de arroz, fritas, frango ou porco. Carne bovina, nem de segunda, para uma marmita entre R$ 8 e R$ 10.

Tal artifício, as indústrias de alimento também estão adotando: reduzindo a quantidade de bolacha no pacote para manter o preço.

Assim, o pobre vai se virando nas filas da Caixa Econômica em busca do Auxílio Brasil, ou de outras “bondades” do governo federal para aliviar a tensão nesses tempos de vaca magra, dos pfs sem carne bovina e de eleição chegando.

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