Avanço para o centro

Por Raimundo Borges

O Imparcial – As eleições gerais de outubro estão jogando fora da história política brasileira muito do que se aprendeu nos manuais sobre os partidos, suas lideranças e as defesas ideológicas que escrevem em seus programas.

Se já era estranho ver o PT unido com Geraldo Alckmin, governador quatro vezes pelo PSDB vai ser mais difícil entender o esforço do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula gastar energia, mirando uma aliança com o MDB, PSD e Avante, num pacote só. Tudo para fortalecer sua candidatura ao Palácio do Planalto. São legendas que podem nem aparecer corpos estranhos no palanque do petista. 

Ainda carregando certo ranço das escaramuças do PT nas eleições de 2014 com Dilma Rousseff e 2018, com Fernando Haddad, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann afirma que a prioridade hoje era “consolidar a esquerda e centro-esquerda em torno do Lula”.

Quando conjuga o verbo ser no pretérito imperfeito “era”, logo se concluiu qual é o sentimento do PT e suas lideranças em 2022. “É óbvio que vamos continuar conversando”, disse Hoffmann. Conversar significa que a capacidade de o PT dialogar com os partidos sem olhar seu programa e a posição de suas lideranças está longe de se esgotar.

No próximo sábado, o PT vai oficializar a pré-candidatura de Lula à presidência da República, mas não será um ato qualquer. Vai ter que mostrar a força do petista, não apenas nos movimentos de rua que ainda nem começaram, mas, principalmente, no ajuntamento de partidos.

Lula está construindo uma rede de apoios que mostre à população não só a força eleitoral, mais principalmente, descartar de uma vez por toda a imagem de esquerdista radical. O PT sabe que a distância de Lula de Jair Bolsonaro nas pesquisas está encolhendo, principalmente depois que Sérgio Moro abandonou sua candidatura.

Sem o ex-juiz no páreo, a polarização entre Lula e Bolsonaro está cada vez mais distante de um cenário comsubstrato que faça vicejar uma terceira via ameaçadora. O ex-ministro Ciro Gomes demonstra mais sinais de embicar com seu projeto presidencial do que se tornar uma 3ª via vigorosa. Tempo ele já teve de sobra para mostrar até aonde pode ir. Resta, portanto a Lula avançar sobre o terreno centrista, tentar arregimentar forças “ocultas” que esperam a 3ª via, por rejeição ao modelo Bolsonarista.

Lula já está ultrapassando a fronteira do centro-esquerda para “invadir” o centro-direita arrependido ou contrariado com o espectro radicalizado do presidente da República e sua legião de seguidores.

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