Papa Francisco concorda com Lula: “Origem da guerra foi Otan latindo às portas da Rússia”

Revista Fórum – Pontífice corroborou tese do ex-presidente brasileiro dita à Time e que foi repercutida à exaustão pela imprensa do país para atacar o petista.

O Papa Francisco concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal italiano Corriere Della Sera, publicada na segunda-feira (2), na qual externou uma opinião sobre a responsabilidade pelo início da guerra na Ucrânia semelhante à do ex-presidente Lula veiculada em sua entrevista à revista norte-americana Time. Para o Sumo Pontífice, “a origem da guerra foi a Otan latindo às portas da Rússia” e “a raiva de Putin pode não ter sido provocada, mas foi facilitada”.

No Brasil, a fala de Lula ao veículo dos EUA foi explorada, e distorcida, à exaustão pela imprensa, que criticou duramente a visão do antigo ocupante do Palácio do Planalto sobre o papel do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e das potências ocidentais testando os nervos de Moscou.

“E agora, às vezes fico vendo o presidente da Ucrânia na televisão como se estivesse festejando, sendo aplaudido em pé por todos os parlamentos, sabe? Esse cara é tão responsável quanto o Putin. Ele é tão responsável quanto o Putin. Porque numa guerra não tem apenas um culpado. O Saddam Hussein era tão culpado quanto o Bush. Porque o Saddam Hussein poderia ter dito: ‘Pode vir aqui visitar e eu vou provar que eu não tenho armas’. Ele ficou mentindo para o seu povo. Agora, esse presidente da Ucrânia poderia ter dito: ‘Olha, vamos deixar para discutir esse negócio da OTAN e esse negócio da Europa mais para frente. Vamos primeiro conversar um pouco mais”, disse explicou o petista à Time.

Para o Bispo de Roma, assim como Lula opinou, ficar instigando mais reações de Vladimir Putin não é uma saída para o conflito. O que deve haver, segundo o Papa, é um diálogo, que já teria sido iniciado inclusive de sua parte, que instou a Rússia a conversar.

“É claro que foi necessário que o líder do Kremlin permitisse algumas janelas. Ainda não recebemos uma resposta e continuamos a insistir, embora receie que Putin não possa e não queira ter esta reunião agora . Mas com tanta brutalidade, como não parar? 25 anos atrás, experimentamos a mesma coisa com Ruanda”, disse Francisco.

Sobre visitar a Ucrânia, como vários chefes de Governo e autoridades diplomáticas vêm fazendo, o líder máximo da Igreja Católica disse que pensa diferente, para tentar uma solução real para a guerra.

“Sinto que não tenho que ir. Primeiro tenho que ir a Moscou, primeiro tenho que me encontrar com Putin”, explicou.

Francisco ainda resgatou aspectos histórico para dizer que esse tipo de conflito, por vezes, tem a verdadeira intenção de mensurar a capacidade militar das potências, servindo de campo de testes, como já ocorreu no passado durante a Guerra Civil Espanhola.

“Estou muito longe da questão de saber se é certo fornecer os ucranianos. O que está claro é que as armas estão sendo testadas naquela terra. Os russos agora sabem que os tanques são de pouca utilidade e estão pensando em outras coisas. As guerras são travadas para isso: para testar as armas que produzimos. Foi o caso da Guerra Civil Espanhola antes da Segunda Guerra Mundial”, concluiu o Bispo de Branco

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