Polêmica do título

Por Raimundo Borges

O Imparcial – O Brasil político de 2022 é outro país, com a divisão radicalizada entre direita e esquerda, quando a maioria esmagadora da população nem sequer sabe o significado dessas duas correntes ideológicas.

Nesse ambiente tenso, em que as redes sociais viraram rinhas de galos entre bolsonaristas e lulistas, o voto dos adolescentes passou a ser, pela primeira vez na história, tema de interesse internacional. E o que é mais importante, estrelas de Hollywood entraram duro na campanha de conscientização, difundida pelo TSE e alguns partidos, batendo de frente na trincheira de Jair Bolsonaro.

Os atores hollywoodianos Leonardo DiCaprio (Não olhe para cima) e Luke Skywalker (Star Wars) entraram numa guerra cibernética com o presidente Bolsonaro, por incentivar os quase 4 milhões de adolescentes brasileiros a tirarem o titulo de eleitor e votar em outubro.

Na mesma peleja, pelo twitter, a cantora Anitta não ficou atrás. Como ativista política, ela se aliou a DiCaprio que pediu: “Tirem o título de eleitor até 4 de maio, jovens do Brasil!”. No mesmo dia, o ator Mark Ruffalo, que interpreta o Hulk na franquia Vingadores, também postou uma mensagem em apoio aos brasileiros.

Todo esse barulho de famosos fora das telas, literalmente tirou o sono de Bolsonaro. De sua morada no Palácio da Alvora, o presidente logo nos primeiros minutos de ontem, data-limite da iniciação dos jovens como eleitores, saiu do debate na rede de seguidores sobre as encrencas das fake news do gabinete do ódio, para atacar novamente a cantora Anitta e Leonardo DiCaprio.

Anitta disse no twitter ter conversado com o ator e percebeu “que ele conhece mais a Amazônia que Bolsonaro”.

A reação do presidente foi imediata: “É bom o DiCaprio ficar de boca fechada em vez de falar besteira”. E defendeu a sua gestão com a “boa política de preservação”. Como voto e o título, são ferramentas principais da democracia, vale lembrar a história dos 134 anos em que este documento tornou-se obrigatório no processo eleitoral do Brasil.

No período, o voto sofreu revés, a democracia apanhou, o Congresso deixou de existir e ditaduras sem votos deram os rumos à política, à economia e à vida nacional, sempre com marca de violência, abusos, atrocidades. Com tantas mudanças, o votou já ganhou até “cabresto”, como se a cabeça do eleitor fosse igual a de cavalo.

 

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