Políticas trançadas

Por Raimundo Borges

O Imparcial – O verbo trançar fala num singelo nó no cabelo, com o objetivo de enfeitá-lo. Ou prendê-lo sem que perca a beleza nem atrapalhe as atividades habituais. As tranças de cultura africana, de fato carregam uma bagagem de ancestralidades, utilizadas até como modo de sobrevivência durante o período da escravidão.

Hoje em dia, porém, trançar chegou também à política brasileira, não pelos costumes étnicos de afrodescendentes, mas adaptada ao nosso jeito de destrinchar as situações mais complexas do cotidiano e até na política.

O Maranhão passa neste ano de 2022 por situações em que os políticos tentam “trançar” sua sobrevivência fora das regras estabelecidas.

Por exemplo, o Grupo Sarney, que passou 50 anos no poder federal e estadual, desde 2014 encontra-se buscando destrançar o nó dado por Flávio Dino ao ser, inacreditavelmente eleito governador pelo Partido Comunista do Brasil. Como fazer, então? Se aproximar do próprio dono do nó, deixando para trás o passado recente?

José Sarney ajudou a eleger Flávio Dino para a Academia Maranhense de Letras

Hoje, Adriano Sarney, como líder do PV, está na mesma federação do PCdoB e do PT. José Sarney ajudou a eleger Flávio Dino para a Academia Maranhense de Letras, na qual se encontra desde os 20 anos. Hoje, trançando a sobrevivência, os dois ‘opositores’ estão mais próximos do que nunca.

Roseana Sarney e o MDB estão alinhados com Carlos Brandão, indicado por Flávio Dino à sua sucessão. O senador Weverton Rocha, líder do PDT cola à sua pré-campanha de governador, a imagem do ex-presidente Lula, enquanto tem o apoio do Senador Roberto Rocha, o mais entusiasmado dos bolsonaristas.

Roseana Sarney e o MDB estão alinhados com Carlos Brandão

Tanto Roberto Rocha, em 2014, quanto Weverton Rocha em 2018, foram eleitos sob o guarda-chuva de Flávio Dino que, hoje têm a dupla como opositores. Weverton é apoiado até por um campo do PT, enquanto Carlos Brandão dividiu no Estado, os partidos do Centrão, que manda e desmanda no governo Bolsonaro.

As trançadas políticas maranhenses são de fazer inveja às cabeleireiras que transformam qualquer tipo de cabelos em verdadeiras obras de arte, que servem tanto para um passeio no shopping quanto às passarelas de Milão e Nova Iorque. E cada dia que as eleições de outubro se aproximam, o trançar político maranhense vai ganhando formas estranhas, nem de longe parecidas com a beleza da moda dos cabelos entrecruzados.

É Weverton apoiando bolsonarista e opondo-se ao flavismo; petistas saindo do flanco esquerdista para se entrelaçar com apoiadores de Bolsonaro. É algo surreal que os estudiosos da política vão precisar de tempo para desentranhar esses nós tipicamente de momentos de sobrevivência.

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