Uber, entregador, ambulante, diarista: nasce o Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos

Ato de criação do Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos em SP.
Créditos: Divulgação

Nova organização social e política pretende lutar pelos direitos dos trabalhadores informais e enfrentar as novas lógicas do mundo do trabalho diante do avanço tecnológico e exploração predatória.

Quando se fala de trabalhadores informais, as primeiras imagens que vêm à mente, para a maioria das pessoas, são ambulantes, camelôs, pedreiros, catadores de papelão e materiais recicláveis, diaristas de limpeza, manicures… São profissões que, apesar de antigas, seguem sem regulamentação e sob uma lógica precarizada.

A esses trabalhadores, diante do avanço tecnológico, se somam agora, também, motoristas de aplicativos como Uber e 99, além de entregadores de aplicativos de comida e supermercado, como iFood e Rappi. Sim, eles também são informais, pois essas empresas não fornecem a garantia de direitos de uma carteira assinada e também seguem a mesma lógica exploratória a que os trabalhadores e trabalhadoras da antiga informalidade se submetem para sobreviver: exaustivas horas de trabalho aliadas a pouca ou quase nenhuma proteção e estabilidade.

Ainda que esses novos trabalhadores informais já façam parte do cotidiano da população há alguns anos – quem nunca usou um carro de aplicativo ou comprou comida pelo celular? -, foi somente em dezembro de 2021, ou seja, há poucos meses, que a Câmara dos Deputados aprovou um Projeto de Lei que prevê alguns direitos básicos a quem trabalha em aplicativos de entrega ou transporte. Isso só foi possível após a pressão desses próprios trabalhadores, que desde 2020 vêm encampando greves e paralisações por pagamentos mais justos e melhores condições de trabalho.

Em meio a esta mobilização, surgiram alguns grupos, como os Entregadores Antifascistas, cujo um de seus principais líderes, Paulo Galo, se tornou uma importante voz dessa legião de trabalhadores precarizados e que não para de crescer.

Com o objetivo de unir os antigos e os novos trabalhadores informais e enfrentar as novas lógicas do mundo do trabalho diante do avanço tecnológico e exploração predatória, nasceu, na última quarta-feira (4), nas escadarias do Teatro Municipal, em São Paulo, o Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos, que já está presente, além da capital paulista, no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco.

O mundo do trabalho já não é mais o mesmo

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), apurada pelo Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE), o país chegou à marca de 40,2% de informalidade no mercado de trabalho no primeiro trimestre de 2022. Ou seja, quase metade da população brasileira ganha a vida sem a garantia de direitos trabalhistas.

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