Voto dente de leite

Por Raimundo Borges

O Imparcial – A festa democrática dos adolescentes sentindo-se cidadãos com direito a votar e participar da vida democrática brasileira começou em 1988. “Chegou a nossa vez, voto aos 16!”, gritava uma multidão que lotava as galerias da Câmara dos Deputados, em 2 de março de 1988, soltando o grito da maturidade política pelo voto. Um momento ímpar na história do Brasil, quando nem celular, nem rede social existiam.

Hoje aquela turma já está de cabelos grisalhos, mas a geração de 2022 não decepciona a luta por democracia, num momento especial na política brasileira. Mais de dois milhões de jovens atenderam ao chamamento até internacional e se habilitaram à estreia política, votando no dia 2 de outubro.

O direito de ir à urna eleitoral é fantástico, principalmente numa eleição que vai escolher o presidente da República, governadores, Congresso Nacional e assembleias legislativas. Logo, aquele refrão de 1988 ainda empolga o coração dos jovens que foram em massa ao registro de eleitor.

Tem razão, portanto, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Fachin em discurso na corte. “No mutirão digital, dirigido pelo TSE aos jovens, com a hashtag #RolêdasEleições, ultrapassou todas as expectativas. Mais de quatro milhões de adolescentes estão aptos a votar um gesto que resultou em imensa contribuição ao fortalecimento da nossa democracia”, disse Fachin.

Está patenteado que ao se recusar a votar com consciência, o eleitor está transferindo para outro a delegação de eleger. E quem se recusa a eleger, está ajudando a atrasar ainda mais o Brasil, colocando no poder quem deveria estar longe dele.

Portanto, saudar os quatro milhões de jovens que vão votar é obrigação de cada adulto. Assim como é obrigação, orientar essa juventude sobre o poder dela de resolver a disputa presidencial.

Não votar é não gostar da política, da democracia e de se orgulhar de ajudar a escolher o mandatário. Seja ele, o deputado estadual, o governador ou o presidente do Brasil.

O voto aos 16 anos foi o coroamento da luta travada pela União Brasileira dos estudantes secundaristas (UBES) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), mediante emenda aprovada na Constituinte por 355 votos, 98 contrários e 38 abstenções.

Foi com emendas desse tipo que a Constituição de 1988 foi chamada de “Carta Cidadã”, após mais de duas décadas de ditadura militar. Desde então, nunca mais o militares conseguiram chegar ao Palácio do Planalto. Só agora, um ex-militar, eleito pelo povo, está fazendo com que a democracia, em 40 anos, nunca tenha sido tão ameaçada como agora. E só com o voto consciente tais ameaças não prosperarão jamais.

 

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