Urna infraudável

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Assim como o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem repetido algumas vezes ser “imorrível, imbrochável e incomível’, também os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TE) garantem que a urna eletrônica é “inviolável, infraudável e inconectável”. São duas situações que parecem se resumir numa brincadeira, mas não é tão risível assim. Afinal, a urna eletrônica é coisa seríssima. É a única ferramenta no mundo no sistema eleitoral.

Mesmo assim, nunca foi tão bombardeada com suspeita de fraude como tem ocorrido desde 2021, por coincidência, depois que o presidente Jair Bolsonaro vem aparecendo bem atrás do ex-presidente Lula em todas as pesquisas eleitorais.

Bolsonaro e seus aliados já fizeram de tudo para tentar desmoralizar a urna eletrônica, a ponto de criar uma crise institucional com o TSE e seus ministros Edson Fachi, atual presidente, e Alexandre de Moraes, que será responsável pela organização e realização das eleições gerais de outubro.

A urna que substituiu a velha, fabricada de lona, é parte da premissa de eliminar a fraude no ato de votar e garantir uma totalização fidedigna do resultado democrático. Foi projetada para não permitir a conexão remota à internet, por cabo, wi-fi (tecnologia sem fio), e tampouco pela tecnologia do bluetooth.

Nessas condições, para fraudar a votação seria necessário alterar uma por uma, em todas as milhares de urnas espalhadas nos 5.568 municípios. O circuito da máquina de voto é fechado e isso garante que hackers não possam invadi-la à distância. O seu mecanismo não possui hardware (placa de rede). Ou seja, inexistem meios que permitam atividades de entrada e saída de dados interligados à rede mundial de computadores.

Mesmo assim, Bolsonaro insiste em propagar por suas redes sociais e perante seguidores, que a urna é violável e usará até as Forças Armadas para fiscalizarem o sistema de votação.

Esta semana, por exemplo, em meio ao tumulto provocado o TSE e o Palácio do Planalto, os técnicos responsáveis por investigar os cinco planos de ataque considerados bem-sucedidos no último Teste Público de Segurança do Sistema Eletrônico de Votação (TPS 2021) retornaram ao TSE. Vão repetir em uma versão ajustada do sistema, os testes que identificaram vulnerabilidades em novembro do ano passado.

Enquanto isso, na 2ª feira o TSE divulgou a íntegra de 35 páginas, com as indagações e as respostas técnicas dadas ao representante das Forças Armadas na comissão de fiscalização e controle. Apontou ainda uma série de erros de premissas, conceituais e até falta de embasamento metodológico nos questionamentos enviados pelos militares – fato inédito na história do país.

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