Insurgência petista

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Cenário político do Maranhão é uma desarrumação só. No PT, um grupo minoritário que já foi do governo Flávio Dino e hoje está fora, lança um “documento” apócrifo com pesadas críticas ao antigo chefe, que estaria tentando usurpar para si o comando da campanha do ex-presidente Lula no Maranhão e a indicação Felipe Camarão para vice de Brandão.

Felipe Camarão é “plano B” de Flávio Dino para 2022.. – Marco Aurélio D'Eça
Flávio Dino e Felipe Camarão são alvos de manifesto lançado por um grupo minoritário do PT

Para o presidente regional, Francimar Melo, o manifesto, apesar de fazer parte do jogo interno do PT, não interfere na aliança formatada com o PSB no âmbito nacional e estadual. O “Movimento de Base”, dono do manifesto contra Dino é uma ação dos apoiadores do senador Weverton Rocha, que repercute apenas “fora do partido, sem nenhuma ressonância dentro”, disse Francimar Melo, que apoia Brandão.

Postura assim no PT maranhense não é novidade. Nada diferente dos chamados partidos de direita que formam o Centrão no Congresso, em busca do que o ex-deputado federal e ex-prefeito de Paço do Lumiar, Domingos Dutra chamava de “farelos de poder”.

Quando estavam nas secretarias do governo dinista, nenhuma reclamação sobre o então chefe do Palácio dos Leões. Só agora, fora do governo e apoiando Weverton Rocha, lançam manifesto apócrifo para em que condenam com veemência a postura de Dino em relação a sua histórica proximidade com Lula e a cúpula do PT, do qual foi militante desde jovem.

A confusão do PT que vai escolher no voto secreto, nos dias 28 e 29 no encontro estadual, o nome que será vice de Carlos Brandão, só tende a ampliar a zoada. Seja como for, o vice será o ex-secretário estadual de Educação, Felipe Camarão ou outro nome.

O deputado José Inácio, que tem cargo no governo Brandão (Sagrima), seria a opção dos insurgentes. Só que desta vez não há risco de intervenção nacional para o partido apoiar ou deixar de apoiar Carlos Brandão, hoje no mesmo PSB de Flávio Dino e do vice de Lula, ex-governador tucano Geraldo Alckmin. Pode até haver muita trovoada, mas com previsão de pouca chuva.

Outro partido estranho no Maranhão é o PDT, presidido no regional pelo líder no Senado, Weverton Rocha. Na última 3ª feira, houve reunião de constituição do comitê de campanha pró-Ciro Gomes. Nada mais do que normal, se não fosse o próprio Ciro uma figura ignorada pelo candidato Weverton.

É como se no estado haverá um comitê pró-Ciro e outro pró-Weverton, pré-candidato a governador que, por sua vez, trata Lula como “companheiro de lutas políticas”. Aliás, na foto da reunião, nem aparece Weverton Rocha. É tão difícil de entender quanto Aluísio Mendes (PSC) se encrespar com Lahésio Bonfim sobre a posição do partido em apoiar Carlos Brandão no 2º turno. Bonfim, bolsonarista, ficou tiririca.

3 comentários em “Insurgência petista

  • 16 de maio de 2022 em 02:39
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    Borges admiro sua escrita sempre muito cuidadosa, porém nesta matéria tem um equivoco em relação ao Movimento Petistas de Base. Ele não é e nunca foi adepto ao Projeto de Weverton, sempre apoiou Flávio Dino e Brandão. A única discordância é em relação a escolha do Vice. O movimento considera que o Vice deve ser um petista orgânico, identificado com as bases do Partido. Daí a indicação do nome do Deputado Zé Inácio. Não há nessa indicação nenhuma afronta a Flávio Dino, que continua sendo o nosso senador. O Movimento Petista de Base considera que o PT deve construir um Projeto para governar o Maranhão em 2026, para tanto é preciso que o Vice tenha a capacidade de defender esse projeto dentro do governo e não apenas fazer figuração. Isso não desfaz em nada a aliança com Flávio, e reforça a candidatura de Brandão.

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