Petrobras na berlinda

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Com a inflação em disparada no Brasil, saltando para 12,13 em um ano – a maior desde 1996, e a eleição geral em quatro meses e meio – a Petrobrás entrou, novamente na agenda das privatizações do governo Jair Bolsonaro.

O novo ministro das Minas e Energia Adolfo Sachsida colocou, de propósito e para agradar o chefe maior e o colega da Economia, Paulo Guedes, a privatização da Petrobras na ordem do dia e como prioridade. Ele sabe que a inflação alastrada tem origem na alta dos combustíveis, cujos preços são vinculados ao dólar no mercado interacional. Por isso, Bolsonaro tem repetido que não controla preços da gasolina, do gás e do diesel. Por isso, prefere vender a Petrolífera.

Assustado com a conjuntura econômica que alimenta a inflação nos preços dos alimentos e suga a renda dos trabalhadores mais pobres, Bolsonaro decidiu demitir o ministro Bento Albuquerque, das Minas e Emergia.

Nem o lucro gigantesco da Petrobras faz arrefecer a tensão política no governo. Afinal, a estatal lucrou a babilônica soma de R$ 44,561 bilhões só no primeiro trimestre de 2022, ou 3.718% acima do resultado dos três primeiros meses de 2021. Foi o suficiente para o governo desengavetar a proposta de venda da maior empresa brasileira e a mais lucrativa do setor em um ano em todo o mundo.

Mesmo sabendo que não há tempo para Bolsonaro colocar em pauta a polêmica venda da Petrobras, que precisa passar pelo Congresso, todo em campanha eleitoral, o novo ministro foi encarregado de fazer essa zoada privativista para animar os investidores da agiotagem. E ainda mostrar que, com uma inflação do petróleo em disparada, o remédio é vender a fonte da commodity.

Por isto, Bolsonaro tem se ocupado de negar, peremptório, ter controle sobre os preços recordes da gasolina, do gás e do diesel. Não sem motivo, Bento Albuquerque caiu do MME, sem, uma explicação plausível.

A privatização da Petrobras é tema amplamente discutido há 20 anos, a partir do fim do monopólio de exploração de petróleo atribuído à empresa. Mesmo com o predomínio do governo brasileiro na sua gestão, a estatal vivenciou várias práticas de cunho neoliberal e privatizante, com a diminuição do papel do Estado na sua gestão e organização. Mas em 2022, a situação é completamente diferente de outros cenários políticos.

Tudo agora corre na esteira da disputa eleitoral, em que o presidente da República tem distância marcante, nas pesquisas, do opositor Lula da Silva que, por sua vez já mandou um recado ao mercado: “Quem comprar a Petrobras vai se entender comigo”.

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