O comício na história

Por Raimundo Borges

O Imparcial – A campanha eleitoral deste ano, mais uma vez será sem os conhecidos showmícios com artistas famosos para atrair a população sequiosa por diversão de graça depois de dois anos de pandemia. A ordem proibitiva foi reafirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, pelo placar de 8 x 2 votos.

No entanto, recuando-se no tempo, o histórico Comício da Central, ou Comício das Reformas, realizado em dia 13 de março de 1964 no Rio de Janeiro (Praça da República), com 200 mil pessoas detonou o começo do golpe militar de 1964 e mostrou o poder da força política com o povo na rua.

O comício da Central tinha como figuras principais, o presidente República João Goulart, e o governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola, além do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), organizador do evento. O Instituto João Goulart tem provas documentais de um plano de atentado à bomba no Comício, porém, teria sido abortado para “não criar um mártir”.

Na época havia informações de tratar-se de um atirador, e boatos de que os comunistas realizariam o atentado para culpar os militares. E Goulart não desejava ir ao comício devido a um problema no coração. Ele teria dito àesposa Maria Thereza: “Teca, vou cumprir o meu dever, mesmo que seja o último”. Dezessete dias depois, foi deposto.

Na ocasião, Jango assinou dois decretos, base na Constituição de 1946. O 1º era simbólico e tratava da desapropriação das refinarias de petróleo que ainda não estavam nas mãos da Petrobrás. Daqueles fatos, todos conhecem o desfecho. Porém, muitos deles, ainda vivos na pré-campanha de 2022, redundaram na ditadura de 21 anos.

A diferença é que a democracia saída das entranhas da Constituição de 1988 está mais solidificada do nunca. Dessa forma, os comícios com shows proibidos neste ano, felizmente, não levam em conta risco de golpe militar, mas de abuso de poder político na campanha eleitoral.

Mas está em vigência a máxima: “Onde há fumaça é fogo”. A proclamação do presidente Jair Bolsonaro de que a população brasileira deve se armar para defender a democracia e a liberdade “é de uma irresponsabilidade sem tamanho”, na opinião do jornalista e acadêmico da ABL, Merval Pereira. 

Ele realça: “Nunca vimos uma situação como essa, totalmente anormal numa democracia. Bolsonaro diz que não vai dar golpe, mas alimenta a ideia de quem vai dar o golpe é o PT”.

Embora a campanha seja sem showmício, mas as redes sociais tem alcance mundial e sua penetração vai muito além dos discursos na praça, como espetáculos musicais.

Até o representante das Forças Armadas na Comissão de Transparência Eleitoral, o general Heber Portella levou para uma das reuniões do grupo no TSE, a ideia de Bolsonaro de contratação de empresa de auditoria para monitorar os votos durante as eleições de outubro. Daí veio a reação do ministro Edson Fachin: “Diálogo sim, joelhos dobrados por submissão, jamais”.

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