Pablo Spyer: “Estamos conectados ao mercado financeiro”

Fiema – Com a expectativa de interpretar o panorama atual do mercado financeiro aos empresários maranhenses, o economista Pablo Spyer, conhecido pelo slogan “Vai, Tourinho!”, proferirá a palestra “O Mercado Financeiro e as Decisões Econômicas”, na abertuda da Expo Indústria Maranhão 2022, que ocorrerá de 26 a 29 de maio no Multicenter Negócios e Eventos (Cohafuma). Em entrevista, o especialista no mercado financeiro comenta o aumento do interesse por investimentos nos últimos anos, o impacto da pandemia no mundo de finanças e a atual configuração da economia mundial.

Pablo Spyer se diz muito animado para a palestra na Expo Indústria Maranhão 2022. “É uma honra ter seguidores no Maranhão. Quero fazer uma exposição muito dinâmica sobre a situação econômica do Brasil e do mundo. Quero falar sobre como está a nossa indústria – os problemas, as expectativas, as esperanças e como estamos conectados economicamente com o resto do mundo”, adianta ele.

Como os empresários maranhenses devem se preparar para lidar com o mercado financeiro?

Pablo Spyer – De uma maneira geral, estamos todos conectados ao mercado financeiro – mesmo produtos de renda fixa estão no mercado financeiro. Vivemos um momento de crise que vem como muita força. Há uma expectativa de alta de juros nos Estados Unidos que está deixando os investidores nervosos, o que pode ser uma barreira para investimentos em países em desenvolvimento, como o Brasil. A recessão no PIB dos Estados Unidos é um outro dado preocupante. Apesar disso, a expectativa de crescimento para o mercado brasileiro está elevada. Os juros no Brasil parecem está chegando no fim do ciclo de alta, o que é muito principalmente para o setor da construção civil. Impostos têm diminuído. Sabemos como é difícil fazer prognósticos sobre o setor econômico, o que se tornou mais acentuado com a crise política entre Rússia e Ucrânia e ainda com a pandemia que ainda tem orientado as decisões políticas na China. Pelo menos, por enquanto, o dólar parece estar mais perto de R$ 5,00 do que de R$ 6,00. Ainda assim, os investidores maranhenses têm de atuar com cautela em um momento em que a alta dos juros ainda está acontecendo no mercado norte-americano.

Qual é a importância de traduzir o mercado financeiro para o grande público?

Pablo Spyer – Meu papel de fazer análises mais descontraídas da macroeconomia por ângulos novos, de uma maneira mais digerida, ajuda o público a entender melhor como investir seu dinheiro. Trata-se de um modo de se despertar a curiosidade quanto àquilo que mexe no nosso bolso. Aqui no Brasil ainda somos muito carentes de educação financeira e minha missão está em preencher essa lacuna. Estamos atualmente com uma expectativa de ensinar 50 milhões de pessoas com um conteúdo de qualidade, de um modo que as pessoas entendam. Não adianta se falar aquele “economês” que não permite que a pessoa entenda nada. Simplificar o mercado financeiro é um modo de suplantar o medo e a dependência da população dos banqueiros. Queremos realmente levar conhecimento para o público em geral.

A pandemia modificou o mercado de finanças? Como você avalia o cenário hoje?

Pablo Spyer – A pandemia foi o evento inesperado que pegou o mercado financeiro em cheio. As bolsas sofreram com os sucessivos lockdown e o homeoffice que alterou o modo de trabalhar e produzir das empresas em todo o mundo. A indústria sentiu demais, porque teve de fechar fábricas, os gargalhos do abastecimento nas cadeias produtivas se adensaram, os insumos se exauriram etc. Foram muitos os desafios. Agora, a gente vê a volta dos confinamentos na China, o que reforço a desaceleração das economias, a inflação segue sem dar trégua – e o mundo haverá de subir os juros para conter este dragão. Nos Estados Unidos e no Brasil, os juros estão elevados. A inflação de serviço está no maior nível desde 2015 – tudo acaba sendo uma repercussão da pandemia e da guerra na Ucrânia que atrapalhou a retomada econômica. O trigo disparou de preço, pois é um dos produtos ucranianos exportados.

O investimento é acessível hoje a qualquer pessoa com celular e dinheiro na conta. O brasileiro passou a investir mais? Qual foi o impacto do uso da tecnologia neste contexto?

Pablo Spyer – Hoje o investimento está muito facilitado. O que temos visto é que o novo investidor brasileiro quer ir além da poupança, que não tem rentabilidade nenhuma. O brasileiro quer saber mais e se interessa por outras dimensões, como o mercado de ações. Estamos em um momento turbulento no qual os juros estão subindo, então a atenção é fundamental antes de qualquer operação financeira. Muitas pessoas têm aproveitado para investir no CDI (Certificado de Depósito Interbancário) que rende muito mais do que a poupança. Ainda assim há muitas pessoas que só aplicam na poupança quando poderiam ter um rendimento muito maior em investimentos seguros. É preciso lembrar ainda que junto com a tecnologia e as redes sociais surgem muitos charlatões e muitas fraudes. Por isso, é preciso ter muito cuidado e muito atento. O brasileiro não deve se deixar cair em tentação de retornos muito altos de dinheiro fácil. Tenham todos muito cuidado e desconfiem de quem finge saber o futuro. Meu conselho é diversificar: sair da poupança para investimentos seguros.

Se eu decidir começar a investir hoje, o que devo fazer?

Pablo Spyer – Muita gente me pergunta isso. Eu sempre recomendo primeiro uma análise de suas finanças pessoais. As contas estão em dias? Você tem uma reserva de emergência? Você tem algum fluxo produtivo? Está empregado? Tem um dinheiro que pinga para você todo mês? Tem dinheiro para investir de forma recorrente? Tendo isso, você tem de conhecer onde diversificar seus investimentos. É preciso investir todo mês uma quantia parecida, essa recorrência de investimento é fundamental. Você precisa analisar que tipo de perfil investidor é o seu. Você é um investigador arrojado ou mais conservador? Por exemplo, não se pode investir em ações variáveis quando já estiver com muita experiência. Você tem de colocar uma quantia fixa – e aconselho um valor referente a 20% dos ganhos. Se você tiver dívidas é preciso se livrar delas antes. Elas são desinvestimentos. A única perdoável é aquela que fazemos para comprar nosso imóvel – é fundamental para nossa segurança financeira.

Expo Indústria

Realizada desde 2015 e em sua quarta edição, a Expo Indústria é uma realização do Sistema FIEMA (SESI, SENAI, IEL e Federação) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) com a correalização do Governo do Estado, Sistema Fecómercio e Sebrae-MA.

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