Entre o gás de cozinha e a lenha, a economia anda cambaleando

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Caiu o presidente da Petrobras, José Mauro Coelho numa sequência de quatro que pediram o boné. No entanto, o preço dos combustíveis permanece subindo, arrastando a tiracolo o humor do eleitor brasileiro em relação ao governo. Para os entendidos em economia, a maior estatal brasileira não é a dona da crise da gasolina, do etanol, do diesel, do gás de cozinha e dos produtos da cesta básica.

De fato, a crise é política, agravada com a falta de bom gerenciamento da economia, hoje, diferente de outros tempos. É totalmente globalizada e conectada aos fundamentos da crise mundial, que produz inflação alta tanto nas Américas quanto nos países europeus, na Ásia e nos demais países ocidentais.

Bolsonaro acredita que a causa dos aumentos nas bombas de combustíveis é responsabilidade do presidente da Petrobras

Enquanto o petróleo continuar sendo o motor da economia planetária, os países aspirantes a ingressarem no chamado primeiro mundo sofrem maior impacto do que os gigantes consolidados. Mas o governo Bolsonaro acredita que a causa dos aumentos nas bombas de combustíveis é responsabilidade do presidente da Petrobras – um emprego antes sinônimo de status máximos, e hoje de alto risco.

O presidente da maior estatal brasileira não tem poder de mudar regras dos negócios do petróleo, amarradas à política internacional de preços, definidas pelo “mercado”. Até o Congresso, hoje, em ano eleitoral nada, de tamanha envergadura poderá ser iniciado e concluído antes das eleições. O mercado é invisível, mas está presente na vida de cada ser humano na face da terra, ditando as regras da economia.

No Brasil, o 4º presidente da Petrobras, José Mauro Coelho foi defenestrado após pressão do reajuste dos combustíveis, anunciado na 6ª feira passada. A queda foi tramada de comum acordo entre o Palácio do Planalto e o presidente da Câmara, Arthur Lira, o líder máximo do Centrão e para-choque das tensões emanadas do Palácio do Planalto.

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O executivo da Petrobras não aguentou a escalada da pressão sobre a empresa, após Lira defender publicamente a sua renúncia “imediatamente”. A situação ficou insustentável com o declínio do presidente Jair Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto e a escalada de seu principal concorrente, Luiz Inácio Lula da Silva.

O último reajuste de 14% no diesel e 5% na gasolina acendeu a luz vermelha. Já provoca reação de caminhoneiros e corrói a imagem do governo. Enquanto isso, cada vez mais brasileiros vão trocando o gás de cozinha pela lenha no fogão improvisado. Não sem motivo, o Palácio do Planalto já percebe que muito mais urgente do que Bolsonaro participar de motociatas pelo país afora seria ele partir para mudar de postura.

Para comandar interinamente a Petrobras, Jair Bolsonaro rapidamente nomeou Fernando Borges, diretor executivo de exploração da companhia, enquanto chega o indicado para conduzir ficar definitivo, Caio Paes de Andrade, do Ministério da Economia e amiguinho do mercado e de total confiança do ministro Paulo Guedes.

Por outro lado, em dia de turbulências domésticas e externas, o dólar aproximou-se de R$ 5,20 na segunda-feira e fechou na maior cotação em quatro meses. A bolsa de valores chegou a cair 1,42% durante a manhã, mas recuperou-se ao longo do dia e encerrou com estabilidade – o que revela que essa gangorra dolarizada não tem prazo de validade.

Tensão afeta humor da economia

A tensão política se move, puxando o mau humor da economia, fazendo com que o presidente Bolsonaro lidere um inédito movimento para instalar um CPI no Congresso com o objetivo de  investigar a Petrobras. É a primeira vez que fato tão estranho saia do Palácio do Planalto para investigar uma estatal do governo, que entrou na mira da privatização. Só o fato de ser investigada pela CPI do PL de Bolsonaro e do PP de Arthur Lira já abre caminho fragilizar a maior estatal brasileira e vendê-la, algo imprestável ao país.

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