Major Carvalho: saiba quem é o ex-PM preso na Hungria como um dos maiores narcotraficantes do mundo

Revista Fórum – Ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul traficou mais de 50 toneladas de cocaína para a Europa e colecionava disfarces e atestados de óbitos forjados para fugir da justiça do Brasil e de Portugal.

Procurado pelas polícias do Brasil e de boa parte do mundo pelo envio de mais de 50 toneladas de cocaína para a Europa desde 2017, o  o ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Sérgio Roberto de Carvalho, conhecido como Major Carvalho, foi preso nesta terça-feira (21) pela polícia da Hungria. Foragido desde 2018, ele usava um passaporte mexicano.

O disfarce, no entanto, é apenas um das dezenas usado pelo ex-militar, que é conhecido como “Escobar brasileiro” – em referência ao megatraficante Pablo Escobar – e considerado um dos maiores narcotraficantes do mundo.

Major Carvalho deve ser extraditado para o Brasil, mas deve responder por tráfico internacional de drogas também em Portugal, onde viveu com o pseudônimo de Paul Wouter, um empresário de 56 anos, nascido no Suriname, que ostentava uma vida de luxo morando em uma mansão e se deslocando de jatinho por toda a Europa.

Esse disfarce foi descoberto pela polícia portuguesa que prendeu mais de 20 sócios do ex-PM brasileiro – que perdeu a patente e teve a aposentadoria suspensa em 2010. Na ocasião, Wouter – identidade de Major Carvalho – havia sido declarado morto em um certificado emitido por um médico de uma cara clínica de cirurgia estética em Marbella, no sul da Espanha. Em 2020, um outro atestado circulou pelos juizados da Europa dizendo que Carvalho havia morrido em decorrência da Covid.

Filho de um comerciante e de uma dona de casa, Carvalho nasceu em 1958 em Ibiporã, no Paraná, mas foi criado em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, para onde seus pais se mudaram com os seis filhos. Entrou na PM em 1980 como cadete e passou a segundo-tenente após cursar a famosa  Academia de Polícia Militar do Barro Branco, em São Paulo.

Designado chefe do batalhão de Amambai, na fronteira com o Paraguai, se aproximou do contrabandista Fahd Jamil Georges e deu início à sua carreira criminal.

Em 1987, a Polícia Federal prendeu três soldados do batalhão sob o comando de Carvalho que traficavam 1,4 mil pneus do Paraguai para o Brasil. Dois anos depois, o major foi pego contrabandeando whisky. Antes de passar para a reserva, em 1997, Carvalho já havia iniciado a vida no tráfico de cocaína trnasportando a droga da Colômbia e da Bolívia até o interior paulista, utilizando como entreposto uma fazenda que comprara no Norte de Mato Grosso do Sul.

De lá pra cá, Major Carvalho colecionou flagrantes e fugas espetaculares. Após ter a aposentadoria suspensa em 2010, ele recorreu da sentença e, em 2016, conseguiu reaver na Justiça o benefício de R$ 9,5 mil mensais.

Nesse mesmo ano desapareceu de Campo Grande e, segundo a Polícia Federal, começou a montar a logística internacional do seu tráfico de drogas. Apenas em 2018, Carvalho foi expulso da PM e perdeu a aposentadoria.  No mesmo ano, entrou para a lista da Interpol.

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