Recorde de famintos

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Quem nunca ouviu o ronco no estômago quando passou da hora das principais refeições? E quando essas refeições essenciais à vida deixam de ser rotina na vida de milhões de brasileiros Inacreditavelmente, o almoço e o jantar passaram a ser uma aventura para 26% dos filhos do Brasil, maior país da América Latina, com todo o potencial para ser carro-chefe da economia do continente. Pior ainda, por ser o maior exportador de carne e de grãos do mundo.

É o país dos disparates. Somente no mês de abril, o Brasil exportou para o mercado internacional, US$ 14,86 bilhões de produtos do agro, valor recorde para o mês, uma alta de 14,9% em relação a abril de 2021.

Mesmo assim, com tanta terra produzindo, a violência no campo não para de fazer vitimas. No meio da guerra rural, há uma história milenar de disputa pela posse da terra, com derramamento de muito sangue e incontáveis assassinatos.

Os lavradores que escapam da tragédia são expulsos pelo cangaço e a capangagem para o redor das cidades, onde robustecem as estatísticas sociais e da violência. A última pesquisa do Datafolha detalha a crise humanitária provocada pela fome no Brasil. O estudo revela que 26% dos brasileiros afirmam não ter comida suficiente para alimentar seus familiares.

No mesmo levantamento de março, esse contingente de famintos somara 24% da população. A variação ainda está dentro da margem de erro da pesquisa, de 2% para mais ou para menos. Mas também pode significar aprofundamento da crise humanitária, ante a inflação, a queda de renda da população e o desemprego.

A mesma pesquisa revela que apenas 62% dos brasileiros disseram ter comida suficiente, enquanto na casa de outros 12%,sobra comida. Esses percentuais se mantêm praticamente inalterados desde o início dos levantamentos, em maio de 2021.E uma estatística que choca qualquer nação civilizadas.

A fome atinge mais o Nordeste, onde 32% dizem ter menos comida, e Norte (30%). No Sul esse percentual cai para 24%, mesmo índice do Centro-Oeste, e 22% no Sudeste. Essa tragédia nacional, chamada fome, até agora, não prioridade de nenhum candidato a presidente da República, nem a governador.

Se a fome no Brasil faz roncar o estômago vazio de 33,1 milhões, a fila de espera no Auxílio Brasil chega a 764 mil famílias, num contingente de 18 milhões beneficiárias. O governo quer aumentar o valor, de R$ 400 para R$ 600, mas precisa aprovação do Congresso e da legislação eleitoral sobre matéria que beneficia o candidato à reeleição Jair Bolsonaro. Enquanto isso, o ronco ronca.

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