Bondades temporárias

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Ano eleitoral é tempo de correria pelo voto, de acordos desajustados, de conversas de bêbado e de articulações desarticuladas. Tudo é possível na política quando o assunto é eleição. É uma operação “salve-se quem puder” e quem tem poder de ser bonzinho com o dinheiro público, de olhar a pobreza com cara de piedade e de se juntar com quem sempre repugnou.

Na última quinta-feira, o Senado Federal, com apenas um voto contra, aprovou um pacote de bondades, embutidas numa PEC do governo, que distribui dinheiro para pobres, caminhoneiros, taxistas e quem mais aparecer como  segmento que vota em massa.

Auxílio Brasil foi reajustado de R$ 400 para R$ 600, somando ainda o vale-gás e o voucher de R$ 1000 para os caminhoneiros.

O rombo da PEC da bondade é de R$ 41 bilhões, maior do que os R$ 36 bilhões do orçamento secreto destinado a “forrar” as campanhas eleitorais de deputados e senadores pelo país afora.

Para burlar a lei que proíbe gastança com o dinheiro público em ano eleitoral, os senadores, com o coração amargurado com a pobreza e a corrosão inflacionária da renda dos trabalhadores, criaram uma situação de emergência, para atender o desejo do presidente da República. Ele tenta mudar o rumo das pesquisas que lhes são desfavoráveis, reajustando Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, somando ainda o vale-gás e o voucher de R$ 1000 para os caminhoneiros.

De repente o Brasil virou um país do primeiro mundo, a “socializar” o dinheiro do orçamento, num governo que vê no socialismo um regime de maldição diabólica a ser exterminado. O jogo da gastança sem amparo legal no orçamento federal contou com a mão estendida até dos petistas do Senado que votaram em massa no primeiro e segundo turno na PEC com a mesma cara de pau dos bolsonaristas do Centrão.

A pobreza é alarmante, mas nunca foi vista por este governo e o Congresso com tanta vontade de amenizá-la, mesmo com tempo de validade para 31 de dezembro, quando o Congresso Nacional já estará eleito assim como o presidente do Brasil, hoje com a disputa encalacrada entre Jair Bolsonaro e Lula da Silva.

A aventura bondosa contra o fisco deixará um rastro para 2023. Mas o que importa é o jogo eleitoral, na polarizada disputa entre Lula e Bolsonaro, no qual permite até uma eventual vitória no primeiro turno do ex-presidente petista. Dessa forma Lula, Bolsonaro (PL) e as respectivas bases parlamentares resolveram abrir o coração e destampar o cofre da União, para ampliar a rede de benefícios sociais.

A nova situação de emergência diz tudo sobre o “espírito humanitário” posto em pratica às correrias mais acelerada do que quando a pandemia da covid gerava filas de cadáveres nos cemitérios; UTIs transformadas em sucursal do inferno e a população no maior desespero em séculos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.