A corrida aos Leões alcança 33 bilhões
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Quando o assunto é dinheiro, o ex-presidente Jair Bolsonaro é um dos poucos brasileiros que não é empresário, não é herdeiro de bilionário, mas não deveria reclamar. A partir de 2025, ele passou a receber a bagatela de R$ 100 mil mensais em dinheiro público.
Junto com os quatro filhos, a família terá uma renda de ao menos R$ 213 mil mensais em salários e mais R$ 58 mil em aposentadorias — R$ 271 mil no total, pagos integralmente com recursos públicos, segundo levantamento do UOL em novembro do passado, sem somar os R$ 46 mil da esposa, Michelle, como presidente do PL mulher. É no mesmo Brasil em que 59 milhões de trabalhadores vivem com um salário mínimo de R$ 1.518.
Na segunda-feira, 25, o ex-presidente que arrecadou em julho de 2023 a maior doação já registrada no País para um político, de R$ 17 milhões via pix (mais do que a campanha da Globo ‘Criança Esperança’, segundo ele mesmo), voltou a pedir mais dinheiro. Em entrevista ao podcast Inteligência, Bolsonaro repetiu duas vezes a chave do seu pix, alegando que precisa de dinheiro para pagar advogados.
Com a banca que o defende, disse ter gasto R$ 8 milhões – significa que ainda sobraram R$ 9 milhões que, convenhamos, é uma bolada com a qual sonham milhões de brasileiros todo dia apostando nas loterias da Caixa e nas bets, versão online dos cassinos que invadiram o Brasil.
Poucos minutos antes de iniciar o julgamento na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal para definir de ele se tornaria réu junto a um grupo de militares e civis acusados pela PGR da tentativa de golpe de estado, Bolsonaro (PL) postou em suas redes sociais uma manifestação acusando a suprema corte de realizar “a maior perseguição política da história do Brasil”.
Só não disse – e nem vai dizer nunca – que ele estava por trás da maior e mais bem planejada engenharia de golpe de Estado já registrada na história do Brasil. Se não tivesse fracassado no dia oito de janeiro de 2023 em razão da fortaleza da democracia do país, obviamente que, hoje a Nação certamente estaria sob outra forma de governo.
O processo é grandioso e exigiu as mais modernas ferramentas de investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Portanto, o julgamento iniciado no STF é apenas relativo ao núcleo 01 da trama golpista em que Bolsonaro é acusado, juntamente com Mauro Cid, Braga Neto, Augusto Heleno e outras quatro pessoas.
É a primeira vez que oficiais da cúpula das Forças Armadas – da ativa e aposentados – sentam no banco dos réus em um caso de tentativa de golpe de Estado. São generais quatro estrelas que, segundo a PGR, atuaram fortemente para destruir as bases da democracia. Todos os envolvidos, por seus advogados, negaram tal projeto golpista assim como a participação nele.
Não é segredo que os bolsonaristas que despejam milhões e milhões de Reais na conta do ídolo da extrema direita sabem que o julgamento do STF o coloca dentro do cenário eleitoral de 2026, quando o Palácio do Planalto estará novamente em disputa num dos momentos mais tensos da política – talvez até pior do que em 2022.
Até o caso da bolsonarista que pichou a estátua símbolo da Justiça no STF com a frase “Perdeu Mané” serve como pano de fundo na tentativa de desmoralizar o julgamento de todos que se envolvem no golpe. O chefe da PGR Paulo Gonet disse no relatório que Bolsonaro e seu candidato a vice Braga Neto, que lideraram a organização criminosa, documentaram todo o projeto golpista.
O chamado “Núcleo Crucial” da trama julgada no STF é formado por Jair Bolsonaro e outros sete: deputado federal Alexandre Ramagem; ex-comandante da Marinha, Almirante Almir Garnier Santos; ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF Anderson Torres; general da reserva e ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno; tenente-coronel e ex-ajudante de ordens da Presidência Mauro Cid; general e ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira; e general da reserva e ex-ministro da Casa Civil Walter Braga Netto.
Sentado na 1ª fileira do auditório, Jair Bolsonaro ironizou em suas redes o julgamento, aludindo-se a futebol e ao jogo Brasil x Argentina: “No meu caso, juiz apita contra antes do jogo começar”.