29 de agosto de 2025
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A dúvida massacra a política no jogo da sucessão no MA

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Faltam 16 meses para as eleições de 2026 e nove para a desincompatibilização do governador Carlos Brandão (PSB) do cargo, caso resolva disputar uma das duas vagas de senador. Mas Brandão procura se manter afastado dessa discussão, sobre a qual está vinculado o seu futuro político, o do vice-governador Felipe Camarão (PT) e do sobrinho Orleans Brandão (MDB), secretário de Assuntos Municipalistas e pré-candidato à sucessão do tio.

Não é só no eixo do grupo deixado por Flávio Dino que mora a indecisão e as dúvidas na política estadual do Maranhão. O prefeito Eduardo Braide (PSD) também está mergulhado na angustiante situação de expectativas sobre o que fará como mandatário de São Luís. 

Um texto de Sarah Westphal, às vezes atribuído a Luís Fernando Veríssimo, que já desmentiu a autoria, atualiza uma reflexão sobre o que está acontecendo no Maranhão: “Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que incomoda, que entristece, que mata, trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.”

Carlos Brandão é o centro do debate ainda cheio de especulações e dúvidas sobre quem será o candidato a governador sob sua liderança em 2026. Nem ele próprio tem convicção de que o melhor a fazer é ficar no cargo e lutar pela candidatura do parente Orleans. E a dúvida persiste assim mesmo: Felipe Camarão fará o quê, se não for o candidato?

É a incerteza do talvez que, lá nos primórdios, Aristóteles já resumia assim: “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.” Pensando bem, Brandão não afirma se Orleans é o candidato. Não diz também se deixará o governo, mas, em compensação, toca o barco sem ajustar o GPS no tempo e às circunstâncias políticas convenientes.

Ao optar pelo sobrinho por livre e espontânea vontade, estará rompendo com o ministro Flávio Dino, apoiador de Felipe Camarão como candidato. Seria a cobrança de um acordo fechado em 2022, antes de Brandão ser o candidato. Porém, o governador só não tem dúvida de que, com a força política acumulada dentro dos partidos da base aliada e os 170 prefeitos que ajudou a eleger em 2024, Orleans será o seu sucessor em 1º de janeiro de 2027.

Como Flávio Dino não pode agir politicamente como membro da Suprema Corte, atua nas filigranas jurídicas em processos que embaralham até a composição do Tribunal de Contas do Estado, há mais de um ano operando sem dois membros titulares, indicados por Brandão e aprovados pela Assembleia Legislativa, mas barrados no STF.

Como Felipe é do PT, algumas nomeações do partido foram defenestradas pelo Palácio dos Leões ao estilo Trump: se não tiver acordo, mais demissões podem chegar ao Diário Oficial. Por seu lado, com Lula sentado pela 3ª vez no Palácio do Planalto, o PT se tornou a organização que mais entende, no Brasil, do jogo de poder, operando nas sombras e às escâncaras.

Até o começo de 2025, o Maranhão era o estado que mais recebia ministros anunciando ações e investimentos pesados, em parceria com o governo Brandão, dentre os quais, a Nova Avenida Atlântica, entre as praias Olho d’Água e Araçagi, oficialmente lançada por Lula em São Luís. Ultimamente, os ocupantes da Esplanada andam meio sumidos por aqui.

O novo presidente nacional do PT, Edinho Silva, defende a candidatura de Felipe Camarão. Mas Brandão busca fortalecer Orleans dentro de uma rede de apoios que o torna hoje um nome muito forte ao governo, sustentado nas articulações e nos avanços do Maranhão como um dos estados que mais crescem no Nordeste.

Já o prefeito Eduardo Braide segue mostrando que as mudanças introduzidas no sistema viário de São Luís e urbanístico, além de Saúde e Zona Rural, não foram apenas obras chamarizes para a reeleição em 2024. As máquinas da prefeitura, com asfaltamento e saneamento nos bairros, seguem no mesmo ritmo, sinalizando que o Município tem dinheiro para tornar a velha São Luís uma cidade bem cuidada e com serviços essenciais funcionando.

Ele, porém, tem dúvida se arrisca disputar a troca do gabinete do Palácio La Ravardière pelo vizinho Palácio dos Leões. É o “quase” da dúvida que o incomoda, enquanto seu nome pontua alto nas pesquisas, enquanto Orleans já lidera em vários municípios. A única certeza é Lahesio Bonfim.

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