Ação da PF contra o PCC iniciou após traficante “salvar” postos de combustível de falência
DCM – A Polícia Federal (PF) iniciou a investigação sobre a infiltração do PCC no setor de combustíveis após monitorar um condenado por tráfico internacional que passou a atuar como empresário do ramo e chegou a “salvar” postos de gasolina da falência, conforme informações do Globo.
O caso foi o ponto de partida da megaoperação que desarticulou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo postos, distribuidoras, fundos de investimento e fintechs.
Segundo a PF, o homem foi condenado a 9 anos e 8 meses de prisão na Operação Ferrari, em 2015, pelos crimes de tráfico internacional e organização criminosa. Após conseguir progressão para o regime semiaberto, ele adquiriu estabelecimentos em dificuldades financeiras que, em pouco tempo, passaram a faturar entre R$ 100 milhões e R$ 200 milhões por ano. Além disso, tornou-se procurador de uma distribuidora de combustíveis que recebeu R$ 434 milhões de uma fintech investigada.
As movimentações chamaram a atenção dos investigadores quando sua esposa adquiriu imóveis e bens de luxo, o que foi considerado indício de lavagem de dinheiro. O empresário está entre os oito alvos de mandados de prisão decretados pela Justiça, mas permanece foragido.
O Ministério Público de São Paulo também abriu investigação paralela após a Polícia Rodoviária Federal apreender, em maio de 2023, um caminhão que transportava ilegalmente metanol em Guarulhos. O produto, que não é fabricado no Brasil e possui uso restrito, era desviado de empresas químicas e entregue clandestinamente a postos da Grande São Paulo.
“As investigações apuraram substancial desvio do produto para a adulteração de combustível comercializado pelos autopostos investigados”, escreveu a promotoria.
Antes da deflagração da megaoperação, a PF realizou uma ação velada no Paraná, coletando gasolina de 50 postos suspeitos. Em 46 deles foram encontradas irregularidades.
A análise revelou três tipos de fraudes: excesso de metanol acima do limite de 0,5% autorizado pela ANP, a “bomba baixa” — quando o cliente paga mais do que recebe de combustível — e a “bomba flex”, que mistura álcool e outras substâncias à gasolina e pode ser desativada por chip durante fiscalizações.
Essas evidências embasaram a Operação Tank, uma das três frentes que compuseram a megaoperação Carbono Oculto, deflagrada na quinta-feira (28). A força-tarefa revelou a ligação direta do PCC com o setor de combustíveis e com o mercado financeiro, utilizando fundos bilionários e fintechs para movimentar e ocultar recursos ilícitos.