5 de janeiro de 2026
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Como foi a operação dos EUA que prendeu Maduro

DW – Helicópteros, caças, aviões de reconhecimento, drones e forças especiais participaram da missão para capturar o líder venezuelano em Caracas. Confira os detalhes e bastidores da ação americana.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assistiu ao vivo a transmissão da dramática captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelas forças americanas, que marcou o ápice de uma meticulosa operação que durou meses.

Durante meses, os militares americanos vinham aumentando sua presença na costa da Venezuela e realizando ataques ostensivos a embarcaçõessupostamente ligadas ao narcotráfico.

Ao mesmo tempo, as agências de inteligência dos EUA estudavam meticulosamente os hábitos de Maduro, enquanto forças especiais ensaiavam secretamente um plano para removê-lo à força.

Helicópteros sobrevoam Caracas à noite em meio a explosões em solo
Mais de 150 aeronaves militares americanas, incluindo caças, drones e helicópteros, participaram da missão.Foto: REUTERS

Meses de planejamento levaram à operação realizada durante a noite, após Trump dar a ordem autorizando a captura de Maduro. As forças especiais se infiltraram na casa de Maduro e o levaram às pressas para os Estados Unidos, onde o governo Trump planeja julgá-lo por uma série de crimes.

Todos os passos de Maduro

Agentes da inteligência americana monitoravam desde agosto todos os movimentos de Maduro, apesar de seus esforços para mudar de local frequentemente à medida que as tensões com Washington aumentavam.

Ao descrever neste sábado (03/01) como era a vigilância ao líder venezuelano, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, contou que os agentes sabiam “como ele se movia, onde morava, para onde viajava, o que comia, o que vestia, quais eram seus animais de estimação”.

A missão também envolveu meses de planejamento e ensaios “minuciosos” realizados em uma réplica da casa onde Maduro estava hospedado, disse Trump na coletiva de imprensa ao lado de membros do alto escalão do governo.

Estrutura em complexo militar em Caracas em chamas durante a noite
Bombardeios dos EUA atingiam defesas aéreas venezuelanas para permitir que helicópteros chegassem ao seu alvoFoto: Luis Jaimes/AFP

As Forças Armadas dos EUA já estavam prontas para entrar em ação no início de dezembro. Desde então, aguardavam uma conjunção de eventos favoráveis, incluindo as condições climáticas. Trump disse que a missão já havia sido autorizada quatro dias antes, mas que foi necessário esperar pelas condições ideais.

Helicópteros sobrevoam Caracas

Trump deu a ordem para a missão às 22h46 na sexta-feira, no horário de Washington, (23h46 em Caracas).

Mais de 150 aeronaves militares americanas decolaram de terra e do mar, incluindo caças, aviões de reconhecimento, drones e os helicópteros que formariam o núcleo crucial da missão.

Os helicópteros que transportavam a “força de extração” de Maduro decolaram na escuridão, voando a apenas 33 metros acima da superfície do oceano, disse Caine.

Os caças forneceram cobertura aérea, enquanto os satélites e as capacidades cibernéticas dos EUA bloquearam os radares venezuelanos.

“Sabiam que estávamos chegando”

As primeiras explosões começaram a sacudir Caracas pouco antes das 02h00, no horário local.

Enquanto o mundo se perguntava se este seria o início de uma campanha de bombardeios em larga escala contra alvos venezuelanos, as aeronaves americanas, na verdade, atingiam apenas as defesas aéreas venezuelanas para permitir que os helicópteros chegassem ao seu alvo.

Donald Trump em coletiva de imprensa ao lado de autoridades de seu governo após a apreensão de Maduro
“Eles sabiam que estávamos chegando”, disse Trump em coletiva de imprensa após a apreensão de MaduroFoto: Jonathan Ernst/REUTERS

“Eles sabiam que estávamos chegando”, disse Trump na coletiva de imprensa, se referindo às tensões que vinham aumentando há meses. “Mas foram completamente dominados e incapacitados muito rapidamente” quando as aeronaves americanas revidaram o fogo.

Um helicóptero americano foi atingido, mas permaneceu operacional e conseguiu retornar à base em seguida.

Os helicópteros sobrevoaram as colinas ao redor de Caracas e pousaram no local onde Maduro estava abrigado às 2h01, horário de Caracas, acreditando que a equipe de resgate havia mantido o elemento surpresa,

Maduro não estava em sua residência oficial no Palácio de Miraflores, mas em um local protegido no complexo militar de Fuerte Tiurna, na capital venezuelana.

Imagem de Maduro detido com olhos e ouvidos encobertos, em um transporte militar dos EUA
A primeira imagem que o mundo veria de Maduro após ser detido pelas forças americanas Foto: US President Donald Trump’s Truth Social Account/Handout/AFP

Ele sua esposa teriam sido capturados enquanto tentavam se refugiar em uma sala blindada, mas foram impedidos pelos soldados da Delta Force, um grupo de elite das Forças Armadas americanas.

Caine disse que Maduro e sua esposa se entregaram e foram detidos pelos agentes da lei.

“Como se estivesse vendo um programa de TV”

Trump disse que acompanhou o ápice da operação por meio de uma transmissão ao vivo. Imagens divulgadas pela Casa Branca o mostraram sentado em uma sala de situação improvisada em seu resort de Mar-a-Lago com o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, o secretário de Estado, Marco Rubio, o chefe da CIA, John Ratcliffe, Caine e outros oficiais.

“Eu assisti, literalmente, como se estivesse vendo um programa de televisão”, disse Trump ao programa Fox and Friends, da emissora Fox News. Ele descreveu o complexo de Maduro como “uma fortaleza”.

Policiais vigiam entrada de sede do Departamento de Justiça dos EUA onde Nicolás Maduro estava sendo mantido
Maduro está preso em Nova York, onde será julgado por uma série de acusaçõesFoto: Eduardo Munoz/REUTERS

“Tinha portas de aço, tinha o que eles chamam de espaço de segurança, onde tudo era de aço maciço ao redor. Ele não conseguiu fechar esse espaço, estava tentando entrar, mas foi atacado tão rápido que não conseguiu”, disse ele à Fox.

“Estávamos preparados com maçaricos enormes para atravessar o aço, mas não precisamos usá-los.”

A bordo do USS Iwo Jima

Trump disse que nenhum membro da equipe americana foi morto, mas que Maduro “poderia ter sido” se ele ou as forças venezuelanas tivessem tentado resistir.

Os helicópteros americanos levaram o casal a bordo do USS Iwo Jima, um navio da classe Wasp, um grupo de grandes navios projetados para liderar ofensivas no mar. Essas embarcações também são usadas em missões de combate e atuam como plataformas aéreas avançadas.

Trump então divulgou a notícia em uma postagem em sua rede social, a Truth Social, às 04h21, no horário de Washington.

A primeira imagem que o mundo veria de Maduro – com os olhos vendados, algemado, usando protetores auriculares e um agasalho da Nike – foi divulgada em uma atualização posterior de Trump nas redes sociais, publicada sem comentários.

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