Eleições forçam Brandão a trocar sete secretários
Por Raimundo Borges

O Imparcial – Quando chegar o mês de abril, o governador Carlos Brandão terá de fazer a sua maior reforma administrativa, empurrada pela regra da desincompatibilização, imposta pela Justiça Eleitoral. Pelo menos sete secretários estão se preparando para dar adeus ao cargo, ao mesmo tempo em que agem politicamente como pré-candidatos às cadeiras da Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema). Ao mesmo tempo, Brandão já sonda uma lista de nomes que irão compor a gestão estadual nos nove meses que seguem até o final do governo, que começou na mesma data de 2022. Foi quando Flávio Dino renunciou para concorrer ao Senado, e o vice assumiu, disputou a própria sucessão e ganhou no primeiro turno.
Até agora, não é do conhecimento público se algum prefeito do interior maranhense está disposto a deixar o cargo para disputar a eleição estadual, seja para qual mandato for. Apenas o de São Luís, Eduardo Braide (PSD), que vem de uma reeleição folgada em 2024, é visto como pré-candidato ao Palácio dos Leões, mesmo sem nunca declarar tal objetivo. Ele pontua na liderança das pesquisas de intenção de voto desde o momento em que foi reeleito. Porém, sabe que não é fácil para um prefeito arriscar uma aposta tão desafiadora, contra a máquina governamental estadual e sem estrutura partidária à sua volta.
Os secretários de Brandão que se preparam para disputar as eleições são: Sebastião Madeira (Casa Civil), Tiago Fernandes (subsecretário da Casa Civil), Paulo Casé (Secretário de Ação Social), Abigail Cunha de Almeida Sousa (Secretária da Mulher), Natácio Weber (Secretário de Ciência e Tecnologia) e Vagtônio Brandão (presidente da Agência Executiva Metropolitana do Sudoeste do Maranhão – Agemsul). Ele atua na região mais próspera do interior do Estado, cuja economia está diretamente vinculada ao agro, nas vertentes da agricultura e da pecuária. O setor puxa outros segmentos econômicos, como indústria, comércio e serviços. É a região de mais forte apelo bolsonarista do Maranhão.
Porém, antes que o governador anuncie a demissão dos secretários pré-candidatos e a nomeação de seus respectivos substitutos, o que todos no Maranhão querem saber é o seguinte: Carlos Brandão também deixará o governo ou seguirá o instinto, revelado aqui e acolá, de ficar para apoiar o sobrinho Orleans Brandão? Ele, também secretário de Assuntos Municipalistas, terá o mesmo prazo de abril para se desincompatibilizar e disputar o Palácio dos Leões. Portanto, até agora, Orleans é o sétimo secretário estadual com menos de três meses para se tornar ex-secretário.
Não resta dúvida de que o vice-governador Felipe Camarão (PT) – único desse time de demissíveis que não precisa se desincompatibilizar – também conta os dias, na expectativa do que vai acontecer com seu companheiro de chapa de 2022. A outra expectativa é sobre uma nova reunião do governador Brandão com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília ou São Luís, para debater as eleições gerais de outubro, inclusive a própria candidatura do petista a um novo mandato. Ele tem agendada nova rodada de peregrinação política pelo Nordeste, região que se tornou sustentáculo de suas eleições.
Lula e Brandão estão liderando fortemente as pesquisas de intenção de voto no Brasil e no Maranhão, respectivamente. A diferença é que o presidente vai para a reeleição e o governador não só não pode mais concorrer como pretende deixar no cargo o sobrinho Orleans, o que seria um fato histórico. Porém, ele se reveza na liderança das pesquisas com o prefeito Eduardo Braide, do PSD, legenda com a qual o PT está formalizando coligação em vários estados do Nordeste. O Maranhão, portanto, não seria surpresa. Nunca se deve esquecer que o médico Lahesio Bonfim (Novo) já provou, em 2022, que é um nome eleitoralmente respeitável no ambiente bolsonarista do Maranhão. Em Imperatriz, por exemplo, ele lidera a disputa.
