11 de janeiro de 2026
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Número de mortos em protestos do Irã passa de 500, diz grupo de ativistas

CNN – País vive uma onda de manifestações em todo o país há duas semanas; mais de 10.600 pessoas foram detidas.

Os protestos no Irã deixaram mais de 500 mortos, segundo informações de um grupo de direitos humanos divulgadas neste domingo (11). Teerã ameaçou atacar bases militares americanas caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumpra suas ameaças de intervir em favor dos manifestantes.

Segundo seus dados mais recentes — coletados por ativistas dentro e fora do Irã — o grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, afirmou ter verificado a morte de 490 manifestantes e 48 membros das forças de segurança, além de mais de 10.600 pessoas presas em duas semanas de protestos.

O Irã não divulgou um número oficial de mortos e a agência de notícias Reuters não conseguiu verificar os números de forma independente.

Trump seria informado por seus assessores na terça-feira (13) sobre opções em relação ao Irã, incluindo ataques militares, uso de armas cibernéticas secretas, ampliação das sanções e fornecimento de apoio online a fontes antigovernamentais, informou o Wall Street Journal neste domingo (11).

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, alertou Washington contra “um erro de cálculo”.

“Sejamos claros: em caso de um ataque ao Irã, os territórios ocupados (Israel), bem como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”, disse Qalibaf, ex-comandante da Guarda Revolucionária de elite do Irã.

Autoridades intensificam repressão

Os protestos começaram em 28 de dezembro em resposta à alta da inflação no país, antes de se voltarem contra os governantes religiosos que estão no poder desde a Revolução Islâmica de 1979.

As autoridades iranianas acusam os EUA e Israel de fomentarem a instabilidade e convocaram uma manifestação nacional para segunda-feira para condenar as “ações terroristas lideradas pelos Estados Unidos e Israel” no Irã, informou a mídia estatal.

O fluxo de informações do Irã está prejudicado por um bloqueio da internet desde quinta-feira (8).

Imagens divulgadas nas redes sociais no sábado (10), vindas de Teerã, mostravam grandes multidões marchando por uma rua à noite, aplaudindo e cantando. A multidão “não tem começo nem fim”, ouve-se um homem dizer.

Em imagens da cidade de Mashhad, no nordeste do país, é possível ver fumaça subindo ao céu noturno, proveniente de incêndios nas ruas, manifestantes mascarados e uma via coberta de destroços, como mostra outro vídeo divulgado no sábado. Explosões também podem ser ouvidas.

A Reuters confirmou as localizações.

A TV estatal mostrou dezenas de sacos para cadáveres no chão do Instituto Médico Legal de Teerã, afirmando que os mortos eram vítimas de eventos causados ​​por “terroristas armados”, além de imagens de familiares reunidos do lado de fora do Centro Médico Legal de Kahrizak, em Teerã, aguardando para identificar os corpos.

Três fontes israelenses, presentes em consultas de segurança israelenses durante o fim de semana, afirmaram que Israel está em estado de alerta máximo para a possibilidade de qualquer intervenção americana.

Um oficial militar israelense disse que os protestos são uma questão interna iraniana, mas que as forças armadas de Israel estão monitorando os desdobramentos e prontas para responder “com força, se necessário”.

Irã denuncia “manifestantes e terroristas”

Embora as autoridades iranianas tenham resistido a protestos anteriores, os mais recentes ocorreram em um momento em que Teerã ainda se recupera da guerra do ano passado e com sua posição regional enfraquecida por golpes sofridos por aliados como o Hezbollah, do Líbano, desde os ataques liderados pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.

Os atos no Irã acontece em um momento em que Trump demonstra a força dos EUA no cenário mundial, após depor o ditador venezuelano Nicolás Maduro e cogitar a possibilidade de adquirir a Groenlândia por compra ou força militar.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, em entrevista à TV, afirmou que Israel e os Estados Unidas estavam orquestrando a desestabilização e que os inimigos do Irã haviam trazido “terroristas… que incendiaram mesquitas… atacaram bancos e propriedades públicas”.

“Famílias, eu peço: não permitam que seus filhos pequenos se juntem a manifestantes violentos e terroristas que decapitam pessoas e matam outras”, disse ele, acrescentando que o governo estava pronto para ouvir o povo e resolver os problemas econômicos.

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