Número de mortos em protestos do Irã passa de 500, diz grupo de ativistas
CNN – País vive uma onda de manifestações em todo o país há duas semanas; mais de 10.600 pessoas foram detidas.

Os protestos no Irã deixaram mais de 500 mortos, segundo informações de um grupo de direitos humanos divulgadas neste domingo (11). Teerã ameaçou atacar bases militares americanas caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumpra suas ameaças de intervir em favor dos manifestantes.
Segundo seus dados mais recentes — coletados por ativistas dentro e fora do Irã — o grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, afirmou ter verificado a morte de 490 manifestantes e 48 membros das forças de segurança, além de mais de 10.600 pessoas presas em duas semanas de protestos.
O Irã não divulgou um número oficial de mortos e a agência de notícias Reuters não conseguiu verificar os números de forma independente.
Trump seria informado por seus assessores na terça-feira (13) sobre opções em relação ao Irã, incluindo ataques militares, uso de armas cibernéticas secretas, ampliação das sanções e fornecimento de apoio online a fontes antigovernamentais, informou o Wall Street Journal neste domingo (11).
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, alertou Washington contra “um erro de cálculo”.
“Sejamos claros: em caso de um ataque ao Irã, os territórios ocupados (Israel), bem como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”, disse Qalibaf, ex-comandante da Guarda Revolucionária de elite do Irã.
Autoridades intensificam repressão
Os protestos começaram em 28 de dezembro em resposta à alta da inflação no país, antes de se voltarem contra os governantes religiosos que estão no poder desde a Revolução Islâmica de 1979.
As autoridades iranianas acusam os EUA e Israel de fomentarem a instabilidade e convocaram uma manifestação nacional para segunda-feira para condenar as “ações terroristas lideradas pelos Estados Unidos e Israel” no Irã, informou a mídia estatal.
O fluxo de informações do Irã está prejudicado por um bloqueio da internet desde quinta-feira (8).
Imagens divulgadas nas redes sociais no sábado (10), vindas de Teerã, mostravam grandes multidões marchando por uma rua à noite, aplaudindo e cantando. A multidão “não tem começo nem fim”, ouve-se um homem dizer.
Em imagens da cidade de Mashhad, no nordeste do país, é possível ver fumaça subindo ao céu noturno, proveniente de incêndios nas ruas, manifestantes mascarados e uma via coberta de destroços, como mostra outro vídeo divulgado no sábado. Explosões também podem ser ouvidas.
A Reuters confirmou as localizações.
A TV estatal mostrou dezenas de sacos para cadáveres no chão do Instituto Médico Legal de Teerã, afirmando que os mortos eram vítimas de eventos causados por “terroristas armados”, além de imagens de familiares reunidos do lado de fora do Centro Médico Legal de Kahrizak, em Teerã, aguardando para identificar os corpos.
Três fontes israelenses, presentes em consultas de segurança israelenses durante o fim de semana, afirmaram que Israel está em estado de alerta máximo para a possibilidade de qualquer intervenção americana.
Um oficial militar israelense disse que os protestos são uma questão interna iraniana, mas que as forças armadas de Israel estão monitorando os desdobramentos e prontas para responder “com força, se necessário”.
Irã denuncia “manifestantes e terroristas”
Embora as autoridades iranianas tenham resistido a protestos anteriores, os mais recentes ocorreram em um momento em que Teerã ainda se recupera da guerra do ano passado e com sua posição regional enfraquecida por golpes sofridos por aliados como o Hezbollah, do Líbano, desde os ataques liderados pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.
Os atos no Irã acontece em um momento em que Trump demonstra a força dos EUA no cenário mundial, após depor o ditador venezuelano Nicolás Maduro e cogitar a possibilidade de adquirir a Groenlândia por compra ou força militar.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, em entrevista à TV, afirmou que Israel e os Estados Unidas estavam orquestrando a desestabilização e que os inimigos do Irã haviam trazido “terroristas… que incendiaram mesquitas… atacaram bancos e propriedades públicas”.
“Famílias, eu peço: não permitam que seus filhos pequenos se juntem a manifestantes violentos e terroristas que decapitam pessoas e matam outras”, disse ele, acrescentando que o governo estava pronto para ouvir o povo e resolver os problemas econômicos.
Alan Eyre, ex-diplomata americano e especialista em Irã, considerou improvável que os protestos derrubassem o governo.
“Acho mais provável que esses protestos sejam reprimidos eventualmente, mas que o governo saia muito mais fraco do processo”, disse ele à Reuters, observando que a elite iraniana ainda parecia coesa e não havia oposição organizada.
A TV estatal iraniana transmitiu cortejos fúnebres em cidades do oeste, como Gachsaran e Yasuj, para membros das forças de segurança mortos nos protestos.
A estatal também informou que 30 membros das forças de segurança seriam enterrados na cidade de Isfahan, no centro do país, e que outros seis foram mortos por “manifestantes violentos” em Kermanshah, no oeste.
Trump diz que EUA estão prontos para ajudar
Trump, em uma publicação nas redes sociais no sábado, disse: “O Irã está vislumbrando a LIBERDADE, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar!!!”
Em uma ligação telefônica no sábado (10), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, discutiram a possibilidade de intervenção dos EUA no Irã, segundo uma fonte israelense presente na conversa.
Reza Pahlavi, filho exilado do último xá do Irã e uma voz proeminente na fragmentada oposição, disse que Trump observou a “bravura indescritível” dos iranianos. “Não abandonem as ruas”, escreveu Pahlavi, que reside nos EUA, no X.
Maryam Rajavi, presidente eleita do Conselho Nacional da Resistência do Irã, um grupo de oposição iraniano com sede em Paris, escreveu no X que o povo iraniano “retomou o controle dos espaços públicos e remodelou o cenário político do Irã”.
O grupo dela, também conhecido como Mujahideen-e-Khalq (MEK), juntou-se à revolução de 1979, mas depois rompeu com os religiosos governantes e lutou contra ele durante a guerra Irã-Iraque na década de 1980.
Netanyahu, falando durante uma reunião de gabinete, disse que Israel estava acompanhando de perto os acontecimentos. “Todos nós esperamos que a nação persa seja em breve libertada do jugo da tirania”, disse ele
