23 de janeiro de 2026
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Os cenários que embolam as eleições no Maranhão

Por Raimundo Borges

O Imparcial – A política do Maranhão está atravessando o mês de janeiro sem nada de diferente dos demais estados quando o assunto em pauta são as eleições de outubro. Usando o poder que lhe é conferido pelos Leões do Palácio da Avenida Pedro II, o governador Carlos Brandão não emite nenhum sinal de que esteja disposto a negociar a renúncia do cargo até 3 de abril para disputar o Senado Federal, muito menos desistir da aposta no sobrinho Orleans Brandão (MDB) como candidato ao governo. Profundo conhecedor do jogo político maranhense, ele sabe que as eleições de outubro serão as mais complexas das últimas décadas. Nenhum pré-candidato a governador está minimamente confortável em um cenário nacionalmente conturbado.

A cada dia que se aproxima o prazo de desincompatibilização, Brandão ainda avalia a hipótese de renunciar para concorrer ao Senado, levando consigo Felipe Camarão para a Câmara dos Deputados, no mesmo bloco político pelo qual a dupla foi eleita em 2022. Caso essa alternativa se torne realidade, a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, entraria em cena para se tornar governadora por meio de eleição indireta no plenário da Casa que comanda. Mas o grau de divisão do grupo dinista nos dias atuais torna essa possibilidade quase impossível. O exemplo da reeleição de Iracema, em fevereiro de 2023, empatada em 21 x 21 contra Othelino Neto, ainda está vivo na história e na mente dos políticos.

Embora impedido de fazer política pela regra do cargo de ministro do Supremo, Flávio Dino tem inegável influência dentro do grupo que liderou por três eleições consecutivas no Maranhão. Ele está passando as férias em São Luís e, obviamente, muito mais perto das articulações que se movem dentro e fora do grupo que construiu. O vice-governador Felipe Camarão insiste em sua candidatura ao governo, enquanto Brandão coloca o sobrinho Orleans no centro dos eventos administrativos e até perante a multidão que se esbaldou no pré-carnaval do domingo passado na Litorânea.

Até agora, existem os seguintes cenários na disputa pelo governo maranhense: Brandão fica no governo e apoia Orleans, que é estimulado a se tornar conhecido perante os prefeitos. Já seriam mais de 160 arrolados nesse reforço. Outro cenário é Brandão se unir a Felipe Camarão e todos voltarem juntos à campanha, como foi em 2022. Essa hipótese, porém, cai no terreno das imprevisibilidades, porque teria que desmanchar o brandonismo e refazer o dinismo. O empresário Marcus Brandão, pai de Orleans e principal articulador do grupo, é totalmente contra. Ele aposta no talento e na capacidade de o filho chegar ao Palácio dos Leões, conforme está projetado desde a ruptura do dinismo.

Do lado oposto encontra-se o prefeito Eduardo Braide (PSD), tecnicamente empatado com Orleans Brandão (MDB) na última pesquisa da Econométrica. Nas principais perguntas dos entrevistadores, ficou assim: na espontânea (que mede o grau de conhecimento dos candidatos), Braide tem 21,9%, contra 20,4% de Orleans. Já no cenário estimulado, os dados mudam: Orleans Brandão aparece com 33,9%, Braide com 32,2% e Lahesio Bonfim (Novo) com 17,3%. Felipe Camarão (PT) tem 7,6%. A pesquisa tem o registro MA-08591/2026. Tais informações antecipam uma disputa acirrada entre Orleans e Braide e, caso esse cenário não mude, os dois irão para um segundo turno eletrizante.

A diferença é que Braide nunca assumiu ser candidato a governador. Faz apenas sinalizações que, porém, causam mais ruído do que certeza. Em caso positivo, ele terá que deixar o cargo até 3 de abril e passá-lo à vice Ismênia Miranda (PSD). A ala do dinismo que se opõe ao governo Brandão, junto com o PT de Felipe Camarão, estaria em conversação com Braide, por meio dos respectivos presidentes partidários: Gilberto Kassab (PSD) e Edinho Silva (PT). Se, no Maranhão, o governador encerrou as tratativas com o vice sobre a eleição, no plano nacional ainda falta a palavra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Caberá a ele definir como e com quem o PT fará alianças nos estados, em consonância com sua disputa por um quarto mandato.

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