Governo Lula quer forma diplomática para recusar convite de Trump para “Conselho da Paz”
DCM – O governo Lula (PT) avalia uma forma diplomática de recusar o convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Brasil participe do chamado “conselho de paz” criado pela Casa Branca. A avaliação consolidada no Palácio do Planalto é de que a iniciativa representa um risco concreto de esvaziamento da Organização das Nações Unidas (ONU) como principal foro multilateral para a resolução de conflitos internacionais, o que contraria a tradição da política externa brasileira.

O convite é tratado com cautela porque, segundo auxiliares de Lula, carrega um componente simbólico de prestígio internacional que não pode ser ignorado de forma abrupta.
Ainda assim, segundo Daniela Lima, do Uol, a leitura predominante é de que aceitar o assento poderia legitimar uma estrutura paralela à ONU, com protagonismo concentrado no governo estadunidense e sem garantias de equilíbrio político. A estratégia em discussão é ganhar tempo, evitar uma resposta imediata e reforçar, no discurso diplomático, a necessidade de reformas no sistema multilateral sem abrir mão da ONU.

Na última quinta-feira (22), Lula conversou sobre o tema com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Nenhum dos dois foi convidado a integrar o conselho proposto por Trump, cuja primeira missão anunciada seria supervisionar a reorganização do território da Faixa de Gaza, devastado após mais de dois anos de conflito envolvendo Israel e o Hamas.
A ausência de representantes palestinos no núcleo decisório é apontada por diplomatas como um dos principais problemas da proposta.
De acordo com interlocutores do Planalto, o convite foi formalizado na sexta-feira e chegou à embaixada brasileira em Washington, mas ainda não houve manifestação oficial do Itamaraty.
Auxiliares próximos ao presidente afirmam que não há como aceitar ou recusar a proposta sem uma análise prévia das consequências diplomáticas e geopolíticas, sobretudo para a posição histórica do Brasil no Oriente Médio. As discussões internas devem começar apenas na próxima semana.
A iniciativa de Trump foi encaminhada também a outros líderes internacionais, como o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.

