Os sete homens e um destino no “faroeste” político do MA
Por Raimundo Borges

O Imparcial – A distância no tempo vai longe, mas a temática explorada no enredo é próxima e atual. A disputa pelo governo do Maranhão em 2026 tem algo que faz lembrar o clássico do faroeste americano “Sete Homens e um Destino”. Pode-se dizer que o enredo político maranhense produz um bangue-bangue em pleno século XXI, ambientado nas três esferas de governo, com seus respectivos palácios de distribuição de poderes: o do Planalto, o dos Leões e o La Ravardière. É dessas fontes que se trava a batalha pelo comando do governo do Maranhão daqui a oito meses. No confronto, não há revólveres deslizando entre os dedos de atiradores. O que há são “tiroteios” nas redes sociais e habilidosas maquinações em movimento.
Das três edições do clássico cinematográfico de 1960 até o remake de 2016, não há espaço para diálogo, dúvida, conversa mole nem decisões adiadas. Tudo é resolvido na pistola de sete pistoleiros contratados para defender um pequeno vilarejo indefeso de um bando de saqueadores. Já no caso maranhense, em 2026, não há pistoleiros nem saqueadores. Mas atuam sete personagens numa trama política de tirar o fôlego. A eleição de governador passa por esses personagens, que viveram juntos em algum momento das três eleições, entre 2014 e 2022, conjugando os mesmos interesses comuns e praticando as mesmas manobras para barrar a entrada de eventuais “saqueadores do poder”.
Os personagens tratados aqui são: Carlos Brandão, apostando alto na capacidade de manusear o jogo da política e eleger o sobrinho Orleans Brandão (MDB) como sucessor. O segundo é Flávio Dino, que, sem atuar politicamente em razão da toga de ministro do STF, ainda assusta com a sombra da vestimenta. Felipe Camarão (PT), vice-governador, se diz irredutível como pré-candidato; Orleans Brandão, confiante na estrutura municipal, na força da juventude de 31 anos, no tio e no pai, Marcus Brandão; Eduardo Braide (PSD) está à espera da ocasião do sim ou do não. Se não topar, nem precisa desistir do que nunca assumiu; e Lula da Silva, que ainda aposta em ver Brandão na corrida ao Senado e um nome de consenso como terceira via.
Para completar os sete homens e o destino rumo ao Palácio dos Leões, falta o médico Lahesio Bonfim (Novo), que se anuncia como candidato a governador, apenas na crença de que a extrema-direita bolsonarista poderá levá-lo de roldão ao Palácio dos Leões. Seu partido, a exemplo do PSD de Braide, não conta com nenhum prefeito do interior maranhense. O Novo não tem deputado federal ou estadual. Enquanto isso, o prefeito de São Luís ainda tem a chance da improvável aliança do PSD com o PT de Lula e de Felipe Camarão, mas numa engrenagem que depende da conjuntura nacional. O PSD pode lançar o governador Ratinho Jr. (PR) como candidato presidencial, o que acabaria interferindo no Maranhão.
Se Braide não arriscar largar a Prefeitura da capital, faltando dois anos e oito meses para o fim do mandato, o secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão, em tese, teria chance até de levar a sucessão do tio no primeiro turno. Com a força da máquina e sem um concorrente à altura do pleito, os atuais 160 prefeitos que lhe prometem apoio podem ser mais. Se, porém, ocorrer o contrário, a situação muda de figurino. Com o chefe do Palácio La Ravardière entrando na disputa, o enredo maranhense de “Sete Homens e um Destino” pode ter outro final. Motivo: Braide é muito bem avaliado, tem baixa rejeição nas pesquisas e faz um aproveitamento de qualidade nas redes sociais.
Pelo sim, pelo não, a corrida ao Palácio dos Leões é acompanhada por uma plateia que se inquieta no meio do tiroteio travado entre os líderes políticos do Maranhão e de Brasília. Ninguém fica indiferente às articulações tensas que se agravam a cada movimento dos personagens dessa trama embaraçada e assistida à distância por um ator de primeira linha, mas hoje fora de combate: José Sarney, que, como não tem nenhum papel, não lhe interessa dar palpite. A reflexão sobre o enredo é simples, mas carregada de saberes: “O passado pode doer. Mas você pode tanto fugir dele quanto aprender com ele.”
