Caiado se filia ao PSD e, com Ratinho e Eduardo Leite, se torna terceiro pré-candidato anti Lula de Kassab
Revista Fórum – Na calada da noite, governador de Goiás divulga vídeo com Ratinho Jr. e Eduardo Leite, para confirmar filiação ao partido de Kassab. Flávio Bolsonaro deve antecipar volta de giro internacional em meio ao esfarelamento da sonhada união da direita.

Em um movimento surpreendente, na calada da noite desta terça-feira (27), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou a saída do União Brasil e a filiação ao PSD, tornando-se o terceiro pré-candidato à Presidência no partido comando por Gilberto Kassab, assessor pessoal de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), que comemorou nas redes.
“Ao lado dos governadores Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho, que passam a trabalhar juntos no PSD na busca de uma candidatura a presidente da República que traga um projeto para o futuro do nosso País”, anunciou um sorridente Kassab na rede às 22h48.
Ao lado dos governadores @ronaldocaiado, @EduardoLeite_ e @Ratinho_, que passam a trabalhar juntos no PSD na busca de uma candidatura a presidente da República que traga um projeto para o futuro do nosso País. pic.twitter.com/2f7stxzFga
— Gilberto Kassab (@gilbertokassab) January 28, 2026
Minutos antes, Caiado divulgou vídeo ao lado dos governadores do Rio Grande do Sul e do Paraná dizendo que “aqui não tem o interesse pessoal de cada um”.
“Nessa hora, nós estamos tendo aqui na companhia do meu amigo Ratinho, como também do Eduardo Leite, que já são do PSD, me acolhendo aqui neste momento para que nós possamos mostrar ao Brasil que este é um gesto de total despreendimento. Aqui não tem o interesse pessoal de cada um. Aquele que for escolhido levará essa bandeira de um projeto de esperança e de resgate daquilo que o povo tanto espera”, afirmou.
Vivo hoje um importante momento na minha trajetória. Ao lado dos governadores Ratinho Jr e Eduardo Leite, estou sendo muito bem recebido no PSD, onde assino minha nova filiação partidária.
Sou grato ao União Brasil, onde construí uma trajetória de coerência e defesa do país.… pic.twitter.com/xpBmqw3u74
— Ronaldo Caiado (@ronaldocaiado) January 28, 2026
O movimento mostra que o partido comandado por Kassab não vai embarcar na candidatura Flávio Bolsonaro (PL-SP), ungido pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), da cadeia como seu sucessor na disputa contra Lula.
Caiado manteve a candidatura mesmo após o anúncio de Flávio, mas enfrentava a indecisão do presidente do União, Antônio Rueda, que negocia com Ciro Nogueira, presidente do PP – que faz parte da federação com o União -, se embarca ou não na candidatura do filho de Bolsonaro.
Incomodado, Caiado começou a conversar com outros partidos e chegou a receber o convite para se tornar presidenciável pelo Solidariedade, de Paulinho da Força, antes de confirmar a filiação ao PSD, de Kassab.
Fim do giro
Com a direita derretendo em razão de sua pré-candidatura, Flávio Bolsonaro deve antecipar a volta do giro internacional ao lado do irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e desembarcar no Brasil já neste fim de semana.
Após atacar Lula de forma sórdida, classificando o presidente brasileiro como “antissemita” em evento no Knesset, o parlamento de Israel, nesta terça-feira (27), Flávio viajaria para Bahrein e Emirados Árabes Unidos na sequência, retornando ao Brasil somente no dia 6 de fevereiro, após o início dos trabalhos legislativos.
No entanto, o filho de Jair Bolsonaro resolveu encurtar a viagem, paga com dinheiro do Senado para promover sua pré-candidatura junto à ultradireita internacional, para cuidar do próprio quintal.
Além da filiação de Caiado ao PSD, reforçando o campo da direita ligado a Kassab, Flávio ainda enfrenta resistências no empresariado e, principalmente, na Faria Lima, que ainda não jogou a toalha em torno do desejo de colocar Tarcísio como candidato da terceira via.
Além disso, o filho de Bolsonaro ainda precisa resolver rusgas dentro da própria casa e do entorno já que a madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), e o guru do pai, Silas Malafaia, ainda não engoliram sua pré-candidatura.
Ódio
Nesta terça, Flávio mentiu em seu discurso no Knesset, o parlamento de Israel, em ataque para incitar o ódio contra o presidente Lula, dizendo que o presidente brasileiro é antissemita – um conceito apropriado pelos sionistas para associar a perseguição aos judeus após a II Guerra Mundial.
“Sob o governo do presidente Lula, a política brasileira sofreu uma profunda falha moral. Deixe-me ser bem claro: Lula é antissemita. Isso não é um slogan, não é um exagero. Isso se baseia em suas ideias, suas palavras e suas ações”, disse o filho “01” de Jair Bolsonaro (PL), que busca atrair apoio de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro sionista, para sua candidatura.
A fala ocorreu no segundo dia da Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo e foi divulgada pelo irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que discursou no primeiro dia se apresentando como “congressman, Brazilian National Congress”, mesmo com o mandato de deputado federal cassado.
Flávio, que se encontrou com Netanyahu no dia anterior, também fez promessas de assinar o acordo costurado pelo presidente argentino Javier Milei para aproximar os países da América Latina de Israel.
“Estou me candidatando à presidência porque o Brasil precisa de uma reinicialização moral e estratégica. [… ) Os Acordos de Isaac, liderados pelo grande presidente argentino, Javier Milei, são um passo histórico. E deixem-me dizer isso claramente, aqui e perante a história, se depender de mim, o Brasil assinará oficialmente os Acordos de Isaac em janeiro de 2027”, afirmou.
Caso seja eleito presidente, Flávio ainda afirmou que fará uma política externa servil aos interesses de Donald Trump, dos EUA, que avança sobre a América Latina ao tentar transformar o narcotráfico em terrorismo – o que é rejeitado pelo governo Lula – para obter aval para qualquer tipo de incursão armada nos países vizinhos.
“Devemos também reconhecer a forte cooperação entre os Estados Unidos e o Paraguai na luta contra o terrorismo e o narcotráfico. [… ) O Brasil deve estar ao lado de Israel, do povo judeu, das democracias que combatem o terror sem desculpas”, emendou.
